28 March, 2009

Irlanda vence o Seis Nações


No último fim-de-semana, a Irlanda faturou o seu 11o. título em 107 participações pelo Seis Nações, vencendo o País de Gales pelo placar de 17 a 15. De quebra, os irlandeses repetiram o feito dos galeses em 2008 e conquistaram o Grand Slam!

Em mais de um século, esta foi apenas a segunda vez em que os irlandeses bateram todos os adversários no torneio. A primeira vez foi em 1948, no tempo em que as camisas de rugby mais pareciam suéteres.

A cobertura desse torneio foi bastante prejudicada pela garotada baixo astral que detém os direitos de transmissão dos jogos, motivo pela ausência de posts aqui no blogby. Foi realmente muito difícil assistir o Seis Nações no Justin.tv. Toda hora os home passavam com os aviões para bombardearem os canais da rapaziada idealista, que estava disponibilizando o sinal para milhares de pessoas famintas por rugby (e talvez por comida, não sabemos).

Não há qualquer beleza na guerra. Mas que peleia bonita foi esse jogo de gato-e-rato, entre transmissores e detentores-de-direitos! No caminho, desviamos de minas terrestres e passamos por cima dos falsos amigos que não compartilham do online-rugbismo e que tentavam infectar nossas tropas oferecendo links para spams de destruição em massa. Enquanto isso, os valentes broadcasters permaneciam lutando nas trincheiras pela defesa da liberdade e dos ideais pirateiros!

Como sabemos, a pirataria virtual é a aspiração máxima do ser humano, e a defesa de seus ideais é dever e obrigação de qualquer cidadão íntegro e honrado!

Muitas foram as baixas nessa edição do Seis Nações. A Brigada Live24 teve seu teatro de operações bloqueado pelas tropas inimigas diversas vezes. O mesmo aconteceu com o Destacamento Sportzone, comandado pelo Sargento Chrizzie.

O JOGO DECISIVO: PAÍS DE GALES 15 x 17 IRLANDA

A partida entre País de Gales e Irlanda, em Cardiff, foi encarada como uma final pelas duas equipes, já que ambas tinham chances de conquistar o título. Enquanto isso, as outras quatro seleções já estavam fora da briga, e disputavam basicamente campeonatecos em paralelo. Os galeses estavam em desvantagem, pois precisavam vencer por 13 pontos de diferença para levantarem o troféu. Apesar disso, os Dragões jogavam em casa e tinham o apoio da torcida.

O jogo foi uma dessas finais típicas em que há muita defesa e pouco ataque. O time da casa abriu o placar, com dois pênaltis de Stephen Jones. Havia muito equilíbrio entre as equipes, mas por um momento, a possibilidade de uma vitória galesa por 13 pontos de diferença pareceu possível. Porém, logo no início do segundo tempo os irlandeses marcaram com o craque do jogo Brian O’Driscoll, logo aos 3 minutos. Aos 6, Ronan O’Gara fez excelente jogada e deixou Tommy Bowe livre para marcar um belo try. Em pouco mais de cinco minutos, os irlandeses haviam transformado uma desvantagem de 6 pontos em uma vantagem de 8.

Os galeses foram para cima, e Stephen Jones encostou no placar com mais dois penais. Aos 34 minutos do 2o. tempo, o abertura galês acertou um drop que colocou Gales novamente na liderança. Mas as chances dos donos da casa de conquistarem a tríplice coroa foram para o espaço quando Ronan O’Gara pagou na mesma moeda, acertando outro drop goal certeiro.

Melhores momentos

OUTROS ACONTECIMENTOS:

- Ver a Itália jogar é sempre uma grande decepção. Como se não bastasse o fato da metade do time ser composta por argentinos, os italianos, mais uma vez, perderam todos as partidas. A despedida não poderia ser mais adequada: uma gratuita tryada de 50 a 8 para a Inglaterra,.

- Gales entrou como favorita, mas a derrocada dos Vermelhos passou pelas irritantes pregas vocais de James Blunt. O jogo contra os franceses, pela terceira rodada, estava totalmente indefinido no intervalo, pois as duas equipes empatavam em 13 a 13. Mas os franceses resolveram apelar para o jogo sujo, colocando o cantor nos alto-falantes do Stade de France. A voz nauseabunda de James Blunt desestabilizou o time galês, que voltou claramente abatido para o segundo tempo, após ouvir uma execução completa da canção “You’re Beautiful”. Os franceses, que são criados ouvindo músicas horríveis, adquiriam imunidade natural a cantores ruins, motivo pelo qual não foram afetados. O placar final foi um previsível 21 a 16 para a França.

10 February, 2009

Começa o Seis Nações

No último fim de semana, foi dado o pontapé inicial para o torneio de seleções mais tradicional e importante do hemisfério norte: o Torneio das Seis Nações, que reúne as 6 maiores seleções da Europa: Inglaterra, País de Gales, Escócia, Irlanda, França e Itália.

O campeonato é disputado desde 1883, e durante a maior parte da sua história, contou com a participação de 4 ou 5 seleções. O atual nome só passou a ser utilizado após a entrada da Itália na competição, no ano 2000.

O regulamento é simples: cada equipe joga 5 partidas em turno único, e o time que somar mais pontos é o campeão. O número ímpar de jogos faz com que a quantidade de jogos como mandante seja diferente da quantidade de jogos como visitante. O balanço é estabelecido em um rodízio anual: quem disputa 3 jogos em casa e 2 jogos fora em 2009, disputará 2 jogos em casa e 3 fora em 2010.

Outra peculiaridade do torneio é o sistema de pontuação: ao contrário da maioria dos campeonatos de rugby do mundo, que dão 4 pontos para a vitória, 2 para o empate e 0 para a derrota, com a possibilidade das equipes conquistarem pontos de bonificação, no Seis Nações, a vitória vale 2 pontos, o empate, 1, e a vitória, zero, não existindo pontos de bonificação.

A seleção favorita para a edição deste ano é o País de Gales, atual campeão do torneio. No ano passado, os galeses venceram todos os jogos e conquistaram, além do campeonato, o Grand Slam. A Irlanda tem uma boa tabela, pois enfrentará as equipes mais fracas como visitante. França e Inglaterra correm por fora. Escócia e Itália são os azarões.

Na última rodada, a Inglaterra venceu a Itália por 36 a 11, mas o placar foi maior do que deveria ser. No segundo tempo, os italianos chegaram a estar dominando a partida, e perderam oportunidades que poderiam adicionar pelo menos mais dois tries ao placar (”italianos” é força de expressão, já que pelo menos 10 jogadores são naturalizados, a maioria argentinos, neo-zelandeses e australianos).

A Irlanda venceu a França em Dublin por 30 a 21, em um jogo muito equilibrado e intenso. O ponto alto (ou seria baixo?) da partida foi a entrada do jogador Louis Picamoles do lado francês, o que gerou uma série de risadinhas infantilóides na redação de DROPOUT. Para felicidade geral de todos, o narrador fanfarrão da ESPN fez questão de pronunciar PICA MOLE, e não PICA MOLÊ, como alguns narradores certamente fariam para preservar os ouvidinhos castos e inocentes da família brasileira.

No terceiro jogo da rodada, deu a lógica: o País de Gales bateu a Escócia por 26 a 13 em Edimburgo. Apesar do resultado, os escoceses conservaram a sua honra, incomodando os galeses no fim da partida.

A próxima rodada é semana que vem, e o grande jogo é, sem dúvida, Gales e Inglaterra em Cardiff. A França enfrenta a Escócia em Paris, enquanto a Legião Estrangeira da Itália pega a Irlanda em Roma.

MELHORES MOMENTOS:

Irlanda 30 - 21 França

Escócia 13 - 26 País de Gales

12 August, 2008

Grandes campeonatecos do rugby mundial! (Parte I)

No rugby internacional, existe uma tradição entre as nações fundadoras (e algumas nações emergentes) de disputarem competições perpétuas entre si. Estes campeonatecos são disputados sempre que uma seleção enfrenta a outra, podendo ou não estarem colocados dentro de um campeonato maior (normalmente Six Nations ou Tri Nations). Seria mais ou menos como Inter e Grêmio disputarem uma hipotética Copa Ênio Andrade - ou melhor ainda - um Troféu Tesourinha, toda vez que se enfrentassem em um Campeonato Gaúcho ou Brasileiro.

Talvez porque o rugby de primeiro nível seja uma panelinha dos diabos, estes troféuzitos proliferaram-se como moscas no calendário internacional. Hoje, quase todo o país que ocupa as 10 primeiras posições do ranking da IRB disputa uma meia dúzia de campeonatecos ao longo do ano. A maioria, no entanto, é meramente decorativa, por ter sido inventada há pouco tempo. As copinhas levadas mais a sério são, obviamente, as mais tradicionais.

Hoje, iremos ver os campeonatecos que são realizados dentro do Six Nations:

CALCUTTA CUP
Quem disputa:
»Inglaterra
»Escócia


Esse lindo bule-de-café é simplesmente a competição de rugby mais antiga do mundo, tendo sido disputada pela primeira vez em 1879.

O troféu tem uma história muito bonita: é uma espécie de Jules Rimet ao avesso. Após a realização de um jogo entre Escócia e um combinado da Inglaterra, Irlanda e País de Gales na cidade de Calcutá, na Índia, a pernóstica população britânica local resolveu criar um clube de rugby, que ficou conhecido como Calcutta Football Club.

Logo no início, tudo ia bem para a massa calcutense. No entanto, após alguns anos, o clube entrou em crise e foi obrigado a fechar as portas. A diretoria do Calcutta FC então sacou todas as rúpias de prata que tinham sobrado na conta do time, e ordenou que as moedinhas fossem derretidas para a fabricação do bonito caneco da foto, que seria doado à Rugby Football Union (entidade máxima do rugby na Inglaterra). A única condição era que o troféu deveria ser disputado anualmente. A RFU então optou por realizar um confronto anual entre Escócia e Inglaterra, tradição que segue até hoje. Atualmente, a disputa ocorre sempre que as duas seleções se encontram no Six Nations, e quem está com a taça no momento é a Escócia.

Olhando o tamanho do caneco, a conclusão é que ou faltou empreendedorismo para a diretoria do Calcutta FC, ou a economia da Índia estava muito inflacionada, naquela época. Com essa prata toda aí, o time só quebra se for administrado pelo governo brasileiro.

CENTENARY QUAICH
Quem disputa:
»Irlanda
»Escócia


Segundo o dicionário Merrian Webster, “Quaich” é um antigo utensílio de origem escocesa, usado para beber líquidos. O receptáculo tem uma origem que remonta à idade média: naquela época, os escoceses não sabiam qual a quantidade exata de whisky que poderiam beber no café-da-manhã, sem prejudicar o restante do dia (ou melhorar, dependendo do ponto de vista do leitor). Após muita discussão, a Igreja definiu que a dose saudável era o equivalente a um penico cheio de trago. Como penicos já eram usados para outras coisas, os escoceses criaram um utensílio semelhante, e batizaram-no de Quaich. (A propósito, essa história é totalmente inventada).

O Penico Centenário foi disputado pela primeira vez em 1989. Funciona da mesma forma que a Calcutta Cup: um jogo anual entre dois países, dentro do Six Nations. Quem atualmente está com a taça é a Irlanda.

Aparentemente, este é um campeonateco meio vagabundo, tanto que eu nem consegui achar uma foto do maldito troféu. O quaich que você está vendo aí em cima é um quaich genérico.

TROFÉU MILLENIUM
Quem disputa:
»Irlanda
»Inglaterra


Outro campeonateco nos mesmos moldes dos anteriores, desta vez entre Irlanda e Inglaterra. A primeira edição foi em 1988. O vencedor ganha um troféu no formato de um chapéu de viking. A atual campeã é a Inglaterra, mas quem está comemorando na foto são os irlandeses.

TROFÉU GIUSEPPE GARIBALDI
Quem disputa:
»Itália
»França


O mais gaúcho dos campeonatecos de rugby! Foi criado para ser um equivalente franco-italiano de competições como o Millenium Trophy e a Calcutta Cup. A primeira edição foi em 2007, e desde então, a França mantêm o caneco em sua sala de troféus. (”Caneco” é uma nomenclatura bastante elogiosa, pois esse troféu está mais para uma instalação de Bienal).

Em breve, mais campeonatecos do rugby internacional!

1 June, 2008

Várias competições acabam!

O tempo passa rápido quando não atualizamos blogs! Parei de atualizar por algumas semaninhas e um bocado de coisas muito importantes aconteceram no mundo do Rugby! É importante lembrar que, quando iniciei esse projeto, não prometi atualizações seguidas. Meu projeto inicial era atualizar o blogby a cada 18 meses. Claro que, com o final da Copa do Mundo de 2007 e um interesse renovado pelo esporte, acabei documentando mais coisas do que realmente deveria. Também dei falsas expectativas a uma meia dúzia de pessoas que frequentam este blog. No entanto, sinto uma certa responsabilidade com a nobre missão de divulgar o curioso esporte da bola oval para o público brasileiro, em uma época que o rugby passa por um processo de popularização cada vez maior ao redor do mundo. Além do mais, onde há argentino, deve haver brasileiro. Nem tanto pela rivalidade, mas pelo fato do mundo estar ficando cada dia mais homogêneo e homossexual. Penso que será importante para a integração dos povos latino-americanos a prática do rugby, para que possamos todos nos dar as mãos nessa caminhada em rumo à liberdade e à soliedariedade e outras coisas de viado. (Estou brincando pessoal, eu apoio regimes democráticos.). É por esse motivo que me sinto forçado a atualizar esta coisa. Vamos então às atualizações mais importantes:

A Heineken Cup já acabou faz horas. O Munster sagrou-se campeão no dia 24 de Maio. O time da Irlanda bateu o Toulouse por 16 a 13 na final e ganhou o segundo título continental da sua história. Apesar de ter perdido a partida, o time francês protagonizou o try mais bonito do jogo, que você pode conferir logo abaixo nesse simpático compacto de 8 minutos que fiz questão de postar aqui:


Vi o jogo e posso afirmar que, para uma final, o nível de competição foi muito bom. O Munster dominou o jogo a maior parte do tempo, mas nem por isso o Toulouse se entregou. Os franceses chegaram a ameaçar o time da Irlanda algumas vezes. No entanto, pagaram um preço caro pelos seus diversos erros, principalmente no final da partida.

Outra competição de grande importância no cenário internacional, o Six Nations, já acabou há décadas. Quem faturou foi o País de Gales, que encerrou o campeonato com 100% de aproveitamento. Para quem protagonizou um fiasco na última Copa do Mundo, o título foi uma ótima forma de dar a volta por cima. Parabéns, Gales!

Porém, outra competição de enorme importância acabou há apenas um dia. Como Dropout é o blogby de rug atualizado com maior freqüência no Brasil, informamos de primeira mão que o Super 14, uma competição que reúne 14 equipes da África do Sul, Austrália e Nova Zelândia, acabou no último dia 31 de Maio, com uma vitória do Crusaders (Nova Zelândia) sobre o Waratahs (Austrália) por 20 a 12. Não vi o jogo, por isso não posso comentar. A única coisa que sei é que o Super 14 de 2008 deu o que falar, por ter sido o primeiro torneio de maior escala a admitir algumas mudanças nas regras do jogo, propostas pela IRB. As alterações visam tornar o rugby um esporte mais rápido, dinâmico e fácil de entender, tanto para o observador casual quanto para a arbitragem. Nos últimos meses, o debate em torno das novas regras tem gerado muito bate-boca, dedo-na-cara e pontapé-no-saco. De um lado, há aqueles que entendem que as regras vão resultar em jogos menos truncados e entediantes, e que por isso deveriam ser implementadas o quanto antes. Do outro, há quem pense que as mudanças vão alterar significativamente a cultura tática do esporte, obrigando todos as equipes a adotarem o mesmo estilo de jogo.

Pessoalmente, com meu olhar de apreciador diletante do rugby, consigo ver tanto aspectos positivos quanto negativos nas novas regras. Acho que o caminho a ser seguido é adotar apenas as regras menos polêmicas em um primeiro momento e ver o que acontece. Mas isso é assunto para um novo post, que será publicado nos próximos dias. Até lá!























Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Naoko M