5 May, 2009

O Brasil está morto! Vida longa ao Brasil!

Na última quarta-feira, o Brasil foi derrotado pelo Uruguai em Montevidéu, pelo placar de 71 a 3. Com a tryada, a seleção brasileira está fora da Copa de 2011. (Refiro-me à seleção de rugby, aquela que paga para jogar, não à joint-venture Nike/Ricardo Teixeira Representações).

Apesar disso, nossos paulista conseguiram uma boa vitória diante do Paraguai, pelo placar de 36 a 21. Ambas seleções já estavam eliminadas, mas a partida foi importante para estabelecer a superioridade do rugby brasileiro sobre o paraguaio, que é o nosso adversário direto na América do Sul.

O consenso na imprensa especializada é de que o Brasil teve um rendimento abaixo do esperado contra o Chile e ficou na média contra o Uruguai. Sinceramente, acho que a expectativa criada em cima do jogo contra o Chile (até DROPOUT embarcou!) foi tão ou mais exagerada que uma pandemia de gripe suína. Ainda somos apenas a quarta força da América do Sul, e ainda seremos por um bom tempo. É necessário popularizar e desenvolver o esporte da bola oval aqui no Brasil, para que possamos ter chance de disputar algo. Ou isso, ou torcer para que um filho do Galvão Bueno comece a jogar rugby.

No sábado, os uruguaios colocaram um ponto final nas especulações sobre quem seria a segunda força do rugby sul-americano. Los Teros massacraram os chilenos por 46 a 9 e aguardam o perdedor do confronto entre EUA x Canadá. O vencedor se classificará para a Copa, e o perdedor disputará uma repescagem com outras 3 seleções.

Desde já, estaremos torcendo efusivamente por uma classificação uruguaia. Vai que os Quero-Queros não só embarcam para a Nova Zelândia, como também conseguem classificação automática para 2015? Neste cenário ligeiramente utópico e inusitado, o Brasil conquistaria um grande atalho para a Copa de 2015.

Brasil no Final Four das Eliminatórias… Que sonho bom!

CLASSIFICAÇÃO FINAL:

Sul-Americano A J V E D PF PC S PTS
Uruguai * 3 3 0 0 202 19 183 6
Chile 3 2 0 1 122 62 60 4
Brasil 3 1 0 2 42 171 -129 2
Paraguai 3 0 0 3 41 155 -114 0

* Classificado para a próxima fase

27 April, 2009

Zebra é parada em blitz da polícia rodoviária gaúcha e Chile massacra Brasil.

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Infelizmente, a zebra verde e amarela não chegou a tempo em Viña Del Mar. A culpa foi desta instituição falcatrua chamada Polícia Rodoviária, que reteve o nosso talismã em um posto a 40km de São Borja, próximo à fronteira do Brasil com a Argentina.

Segundo os policiais, a motoca da nossa zebra estava com o farol traseiro emitindo uma luminosidade de apenas 698 lumens, quando a legislação exige um mínimo de 700 lumens. A zebra foi obrigada a parar e o resultado todos nós já sabemos: Chile 79 x 3 Brasil.


-Olha, seu Zebra, o senhor faz o seguinte: deixa 150 aqui e mais cem lá pro meu amigo no posto de Uruguaiana…

Com o resultado, o Brasil está virtualmente fora da Copa do Mundo de 2011, e não vai conseguir subir para a 24a. posição no ranking da IRB. A colocação seria excelente para o desenvolvimento do rugby no Brasil, pois enquanto as seleções que ficam abaixo da 25a. posição recebem 50 mil dólares anuais da IRB, as 25 primeiras equipes do mundo recebem 500 mil dólares, verba 10 vezes maior. Claro que, para o rugby brasileiro melhorar de fato, o dinheiro não poderia desaparecer, como costuma acontecer nesse país toda vez que surge grana no horizonte.

Porém, a verdade é que o Brasil não tinha nenhuma condição de vencer Los Condores, por mais que houvesse a (falsa) expectativa de um milagre. Em um primeiro momento, a maior derrota brasileira na história dos confrontos entre Chile e Brasil pode desanimar, mas é importante observar que, apesar do rugby nacional ter apresentado uma pequena evolução nos últimos anos, outros países também evoluiram. Enquanto o Brasil ainda engatinha no esporte, Chile e Uruguai já atingiram um nível intermediário no cenário internacional há algum tempo.

No outro jogo da rodada, mais uma vez ficou clara a diferença dos dois países sulinos em relação às outras nações americanas: O Uruguai derrotou o Paraguai por 85 x 7.

Na próxima quinta quarta, a seleção brasileira enfrenta Los Teros em Montevidéu. A zebra verde-amarela afirmou estar indignada com o tratamento que recebeu das instituições oficiais do seu país, e não garantiu sua presença no Uruguai…

24 April, 2009

A zebra vem aí!

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El condor pasa nos Andes, e o Quero-Quero caminha com galhardia pelo verdejante Pampa. Mas rompendo a fronteira pelo Chuí, carregando um ar-condicionado e outras bugigangas pela metade do preço, nossos repórteres avistaram um novo animal se aproximando: é a zebra verde-amarela!

Ninguém sabe direito de onde veio a zebra, já que o animal não habita nenhum dos nove biomas de nossa nação. No entanto, há quem diga que a zebra verde e amarela é uma criatura mítica do folclore brasileiro - quase um unicôrnio - e, portanto, só é vista por aqueles que nela acreditam (ou por aqueles que foram terceirizados pelas suas famílias à instituições psiquiátricas estatais).

Segundo nossos repórteres, parece que a zebra foi vista entrando a galope em um bar, nas proximidades do Farol do Albardão. Lá, o animal bateu com a pata no balcão e dirigiu-se ao dono do estabelecimento com uma voz trovejante: “Me dá uma cerveja!”, disse. O bodegueiro, consternado com esta cena absurda, abriu uma Norteña, despejou num copo e entregou para a zebra, que bebeu com vigor. Após bater o copo no balcão, a zebra disparou, com a mesma voz impactante de outrora: “Quanto é?”. Sem conseguir pensar direito, o confuso vendedor errou o preço e largou um aparvalhado “20 pila.” O bicho sacou duas notas de dez e atirou no balcão. O barman, no entanto, não pegou as notas. Em vez disso, ficou parado, boquiaberto, ponderando a zebra bípede que apoiava a pata direita no balcão com um olhar enfezado. O mamífero, incomodado com o olhar do bolicheiro, perguntou: “Tá olhando o que?”. O homem respondeu timidamente: “O senhor me desculpe, mas é que nunca veio uma zebra aqui no meu bar antes pedir uma cerveja.” A zebra respondeu: “Também, cobrando 20 pila a cerveja!”

Depois disso, o equino listrado virou as costas e deixou o bar. Mas fontes seguras confirmam: ele está de viagem para o Chile e Uruguai, onde a seleção brasileira disputará as Eliminatórias da Copa de 2011. Se vai chegar a tempo, são outros quinhentos. O importante é que está a caminho!

Símbolo máximo da boa sorte e da esperança, capaz de operar milagres e até mesmo apêndices, a zebra verde e amarela promete ajudar a seleção brasileira de rugby, que enfrenta Los Condores amanhã, dia 25, e Los Teros (Quero-Queros), na próxima quarta, dia 29.

O torneio será realizado em Montevidéu, na pátria dos Teros. Se você acha injusto disputar todos os jogos na terra do favorito à classificação, fique sabendo que a partida entre Chile e Brasil será disputada excepcionalmente em Viña Del Mar, no Chile! A tarefa da seleção brasileira, que já era suficientemente hérculea, ficou ainda mais difícil com este peculiar regulamento.

O Paraguai também participará do torneio, embora não tenha chances de classificação. Assim, o primeiro colocado entre Brasil, Chile e Uruguai seguirá vivo nas eliminatórias, enquanto as duas seleções eliminadas se despedem da contenda.

Segundo informações do Blog do Martoni, o canal à cabo ESPN transmitirá a o compacto do jogo terça-feira às 18h30, com reprise quarta-feira, às 10h30.

Avante, zebra verde e amarela! Pra cima deles, Brasil!

31 March, 2009

Entrevista: Natasha Olsen, pilar da seleção brasileira de Rugby Sevens

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DROPOUT conseguiu uma entrevista com Natasha Olsen, pilar da seleção brasileira de Rugby Sevens. Natasha foi muito simpática e resolveu atender ao convite do nosso modesto blogby, em uma época em que a seleção feminina de Sevens já esteve no Pânico, no Amaury Jr. e, até mesmo, no Domingão do Faustão!

A atleta falou sobre a campanha inédita da seleção feminina no Mundial de Dubai, que aconteceu nos dias 6 e 7 de Março. A seleção brasileira chegou na 10a. posição e, por pouco, não trouxe um caneco para a casa.

Classificadas no Grupo C com Canadá, Espanha e Tailândia, as brasileiras foram derrotadas pelas espanholas por 19 a 0 e pelas canadenses por 38 a 0, mas venceram as tailandesas por 12 a 10. Com a 3a. posição no Grupo C, o Brasil se classificou para a disputa do Bowl (Taça Bronze), que reune seleções do 9o. ao 16o. lugar.

Nas quartas-de-final do Bowl, nossas atletas bateram a seleção de Uganda por 12 a 7. Na semifinal, as brasileiras conquistaram mais uma vitória, desta vez contra a Rússia, por 17 a 12.

Na final, o Brasil perdeu para a China, pelo apertado placar de 10 a 7. Apesar da derrota, a participação da seleção foi histórica para o rugby brasileiro, e em especial, para o rugby feminino.

DROPOUT: A seleção está satisfeita com a campanha no Mundial, ou há uma certa frustração, já que a China ganhou o Bowl por apenas 3 pontos de diferença?

Natasha Olsen: Sem dúvida, ficar entre as 10 melhores seleções de seven a side do mundo é um bom resultado. Pensando “friamente”: o Brasil não tem tradição no esporte - o rugby feminino especificamente é jogado há 12 anos por aqui, a seleção não teve apoio ou patrocínio…
Esta foi a primeira vez que uma seleção brasileira entrou em campo em uma Copa do Mundo de Rugby e ficar entre as 10 melhores equipes do mundo é uma conquista, não só da seleção, mas de todas as rugbiers brasileiras e de todos os que acreditaram e trabalharam pelo rugby feminino aqui no Brasil.
Mas é claro, existe o lado emocional, e a gente queria mais. O jogo com a China, por exemplo não sai da minha cabeça. Eu e outras jogadoras já assistimos a partida muitas vezes, vimos e revimos, ficamos analisando, imaginando o que poderia ter sido diferente. Perder a final por 3 pontos foi duro e continua sendo difícil.
Mas agora o que queremos é seguir em frente e transformar a participação na Copa do Mundo em um ponto de partida para o rugby feminino no Brasil, pensar em como jogar mais e melhor daqui para frente.
É triste voltar depois de uma experiência como a que vivemos em Dubai e não saber quais serão os próximos desafios, as próximas metas a serem atingidas, não só pela seleção brasileira, mas aqui dentro do Brasil mesmo. Não temos um calendário de competições - dentro e fora do Brasil. Precisamos disso. O rugby feminino tem muito o que crescer. Essa é uma certeza que trouxemos.

O Brasil venceu seleções de países onde o atleta é mais valorizado, como a Rússia, mas também mostrou que está longe de países como Canadá e Espanha. O que deve ser feito para que o Brasil possa, no futuro, jogar de igual para igual com estas equipes?

Em primeiro lugar precisamos competir mais, jogar torneios com um nível de exigência maior. O ritmo de jogo é diferente, a parte física influi muito. Para chegar a um nível melhor, precisamos jogar num nível melhor. É difícil se igualar às grandes potências estando isoladas. Isso vale também para as competições nacionais. Precisamos jogar mais. Oficialmente o feminino tem um circuito de seven-a-side jogado em 5 etapas, é muito pouco.

A ABR ajudou as jogadoras e a comissão técnica na preparação para o Mundial?

Recebemos apoio da ABR quando fomos viajar para a Holanda no primeiro semestre de 2008. Esta gira foi fundamental para o grupo, jogamos nosso primeiro jogo internacional de XV e participamos do Heineken Sevens, primeiro torneio em que entramos em campo com seleções como Nova Zelândia, Inglaterra, Estados Unidos… Conhecemos a “realidade” do jogo internacional, muito mais exigente fisicamente e mais veloz, não só em relação à velocidade de corrida, mas de tomada de decisão, de reação.
Infelizmente, depois desta viagem não tivemos nenhuma outra oportunidade de jogar partidas neste nível. Por falta de verba deixamos de participar de outros torneios internacionais para os quais fomos convidadas e isso com certeza seria muito importante na nossa preparação.
Na reta final, nos faltou até campo para treinar, por exemplo. Mas esta é a nossa realidade e procuramos fazer o melhor com aquilo que nos foi oferecido.
Os custos da preparação e da viagem, que vão desde as passagens das atletas de fora de São Paulo para treinos até nossos uniformes de jogo, foram pagos pelas atletas e comissão técnica. Para isso usamos a criatividade, fizemos o calendário e alguns eventos, pedimos doações da comunidade do rugby. Fora isso, tivemos o apoio do governo federal, através do bolsa-atleta.
Mas, se nos faltou apoio por um lado, por outro lado tivemos um grupo de pessoas maravilhosas trabalhando conosco: preparador físico, José Eduardo, fisioterapeuta, Allan Joseph, nutricionista, Marco Jafet, psicóloga, Regina Silva, auxiliares técnicos, Maurício Migliano e Leandro Gevaerd, médico, Renato Masagão. Além disso, treinamos na Cia. Athlética que nos apoiou durante o ano todo passado, o que foi muito importante na parte física.

Na sua opinião, o que deve ser feito para tornar o rugby, um esporte escandalosamente impopular no Brasil, mais conhecido nestas terras?

Eu sou um pouco suspeita para falar porque sou completamente apaixonada pelo rugby. Acho que falta divulgação, porque o esporte é maravilhoso. As pessoas precisam conhecer o esporte. O rugby não é impopular no Brasil porque o brasileiro tem alguma resitência ao esporte ou não goste de rugby. O brasileiro não sabe o que é rugby.
Acho que com bons resultados das seleções nacionais, com mais e mais jogos sendo transmitidos pela TV, a tendência é que o rugby ganhe mais fãs e mais jogadores. A transmissão da Copa do Mundo em 2007 é um exemplo disso. Nós estamos fazendo nossa parte, graças a Deus estamos conseguindo falar de rugby em revistas e programas de TV.

Como tem sido a repercussão do sensual calendário seminu?

Na verdade maior do que esperávamos. Nunca tivemos tanto espaço na mídia e isso é extremamente positivo para o esporte. Pode ser que em um primeiro momento se fale do calendário explorando o lado sensual das fotos, mas para isso é preciso falar do rugby, o que para gente é o mais importante. A princípio foi uma maneira que encontramos de levantar algum dinheiro e, mais do que isso, através do calendário conquistamos um espaço na mídia para falar sobre rugby.

O rugby tem a fama de ser um esporte muito violento e agressivo, ainda que esse estigma não corresponda à realidade. Sendo assim, que argumentos devemos utilizar para convencer uma delicada adolescente da grande metrópole a abraçar o rugby como sua atividade desportiva?

Olha, eu já pratiquei diversos esportes e em nenhum eu encontrei tudo o que encontro no rugby. É um esporte completo, que envolve a entrega física, a concentração mental, traz uma ideologia de companheirismo e respeito que não encontrei em nenhum outro esporte. Acho que quem procura uma atividade esportiva, gosta de esportes, né? Então, vai gostar de rugby com certeza. E isso não tem nada a ver com características masculinas ou femininas. O rugby é um esporte para quem ama esportes, seja homem ou mulher. Contra este estigma de brutalidade, nada melhor do que ver as mulheres jogando.

DROPOUT agradece a Natasha Olsen pela atenção e parabeniza a seleção de sevens pela campanha em Dubai. Também agradecemos a Gustavo Faraon , sem o qual esta entrevista não teria acontecido.

4 February, 2009

Seleção de rugby feminino lança calendário de mulher pelada!

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As garotas da nossa seleção feminina de rugby sevens fizeram um calendário com fotos sensuais. A intenção é arrecadar fundos para a viagem à Copa do Mundo de Sevens, que será disputada no mês de Março em Dubai e contará com a participação do Brasil. O calendário pode ser adquirido aqui.


Não vou tecer comentários sobre o calendário. Primeiro, porque não vi. Segundo, porque essa foto de divulgação é demasiadamente enigmática. Só sei que, como jogada de marketing, a decisão das jogadoras foi um tryzaço! Afinal, como é que o rugby - um esporte escandalosamente impopular no Brasil - vai chamar atenção da mídia esportiva deste país? Resposta: pirotecnia! Coisas inesperadas, que rendem manchetes estilo BBB, em um jornalismo esportivo cada vez mais lúdico e recreativo. Tanto que fiquei sabendo da notícia pela primeira vez no programa Na Geral da rádio Band AM de Porto Alegre, tradicionalmente voltado ao futebol.

Só espero que a seleção masculina não resolva fazer o mesmo. Não quero escrever um post repleto de trocadilhos idiotas, envolvendo a palavra “ovo”.

(A propósito: segundo fontes confiáveis, as fotos são de muito bom gosto, sem putaria. A manchete escandalosa foi feita com o intuito de catar o maior número possível de cornos-de-Google, ajudando assim a divulgar ainda mais o rugby feminino no Brasil!)

27 October, 2008

Mesmo sem doar dinheiro à Igreja Renascer, Kaká comete equívoco.

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“Pode perguntar para qualquer um que está aqui, todos vão dizer que pagariam para jogar futebol e estar na seleção. Eu pagaria para ser jogador de futebol, porque é a minha paixão. Claro que, depois, com o seu talento, você faz dele uma profissão, e se torna bem remunerado. Mas a paixão permanece”

Essas foram as palavras do jogador Kaká (foto), no último dia 14, ao receber homenagem na calçada da fama do Maracanã.

Todos sabemos que pagar para jogar na seleção é um exemplo meramente hipotético. Mas considerando que o chavão pronunciado por Kaká pudesse se tornar realidade, por que alguém pagaria para vestir a amarelinha e empatar em casa com o Colômbia? Seria realmente por paixão? Ou haveria outros motivos por trás desse gesto aparentemente nobre?

Kaká parece que se esqueceu de citar a famosa “sede de nomeada”, expressão que tomamos emprestada da cria de Machado de Assis, o defunto-autor Brás Cubas. É o ardor de ver o nome estampado em letras colossais. É a glória de ver milhares berrando um nome - o seu - em um frenesi histérico. É o seu rosto em propagandas, em televisores, outdoors, e o seu pélvis colado a mulheres estonteantes. Com tamanho lucro ao ego, o bolso sequer acusa o prejuízo.

O meia-atacante do Milan e da seleção completa: “Não se trata de dinheiro, mas de um sentimento de orgulho. Não somos um exército, no sentido de ser a pátria de chuteiras, mas me sinto orgulhoso de defender o meu país quando entro em campo com a seleção”

Orgulho é pecado, Kaká. Está na Bíblia. Um garoto tão religioso não deveria se deixar seduzir por essas extravagâncias mundanas.

*

A situação é hipotética apenas para a seleção de futebol. Para a seleção de rugby, é preciso efetivamente pagar para jogar. É o que diz Ramiro Mina, o Mocho, capitão da equipe que bateu Trinidad e Tobago na última semana. Em entrevista para o Blog do Martoni, o jogador afirma que “mais uma vez, jogadores e comissão, (…) tiveram que pagar de seu bolso muitos dos custos desta viagem e preparação (transporte em Miami, hotel em Miami, todas as refeições em Miami e Trinidad, hotel em Trinidad, custos com vistos e taxas, etc).”

Estima-se que alguns atletas chegam a desembolsar até 5000 reais para representar o Brasil.

No jogo de volta contra Trinidad e Tobago, em São José dos Campos, os jogadores da seleção, liderados pelo centro Fernando Portugal, resolveram até mesmo organizar uma vaquinha solidária para ajudar nos gastos dos atletas. Quem comparecesse no estádio para prestigiar a seleção, poderia ajudar os jogadores com uma doação de dez reais (o preço do ingresso,antes da decisão de tornar a partida aberta ao público).

Ou seja, para ser jogador da seleção de rugby por sede de nomeada, é preciso ter um raciocínio no mínimo excêntrico, pois ninguém conhece o esporte no Brasil. Se existe alguma seleção onde os atletas defendem o país por gosto, e não só pagariam, como pagam para isso, é a seleção de rugby.

25 September, 2008

Brasil se prepara para estraçalhar Trinidad e Tobago


A seleção brasileira voltará a campo para buscar uma honrosa eliminação tardia nas Eliminatórias da Copa. O adversário da vez é Trinidad e Tobago, que foi o Campeão da NAWIRA B (Uma espécie de 2a. divisão da CONCACAF do Rugby). Quem vencer a série de dois jogos enfrenta Chile e Uruguai na próxima fase.

A primeira partida será dia 11 de Outubro em Port of Spain, capital do país caribenho. O jogo de volta será em São Paulo, no dia 18 do mesmo mês. Para quem mora na Terra da Garoa e do Executivo Impiedoso, a partida será realizada no campo do SPAC. O endereço é Av. Robert Kennedy, 1448 - Bairro Socorro.

O preço mínimo do ingresso é R$ 10,00 e o máximo, R$ 30,00. Para você que já está reclamando da cobrança, como se o rugby já não fosse suficientemente impopular no Brasil, saiba que uma arquibancada novinha de 4000 lugares será instalada exclusivamente para o espetáculo! Estas coisas custam dinheiro, moleque!

Segundo informações do site Rugby Mania, a partida provavelmente será transmitida pela ESPN Brasil. É uma excelente oportunidade de ver o rugby com olhos de torcedor, e não com olhos de explorador dos mares do Sul, como geralmente fazemos.

Ao contrário da seleção de futebol, o pessoal do rugby sua a camisa para defender o verde-louro desta flâmula, paz no futuro e glória no passado. Para que o Brasil siga vivo nas Eliminatórias, muitos dos nossos paulista vão ter que dar explicação pro chefe, ou deixar o sócio cuidando da Academia. Se esses abnegados bandeirantes não merecem a vibração das nossas cordas vocais, então quem merece? Ele?

A seleção já iniciou sua preparação para o jogo decisivo, enfrentando a Seleção de Desenvolvimento da URBA (Unión de Rugby de Buenos Aires) no último dia 19. O placar foi 79 x 3 para os argentinos.

A informação pode assustar o leitor leigo, mas não é para tanto. Vejamos: todos sabemos que, no fundo, a Argentina não é um país. Isso é o que os hermanos querem que você acredite, pois qualquer pessoa esclarecida sabe que a Argentina é, na verdade, formada pela cidade de Buenos Aires e por algumas praias de Santa Catarina. Os argentinos que não moram em Buenos Aires, ou estão na Patagonia, na Cordilheira dos Andes ou perto de São Borja. Quem é que, em plena consciência, escolheria viver em locais tão escrotos? Logo, a Seleção de Desenvolvimento de Buenos Aires é, praticamente, um Time B da Seleção Junior da Argentina, o que torna nossa derrota bem menos vexatória… Quer dizer… Sabe como é, né?

Deixando as brincadeiras de lado, reitero que o Brasil, se passar por Trinidad e Tobago, perderá todos os jogos que disputar com Uruguai e Chile. Novamente, o leigo poderá se decepcionar com meu prognóstico, mas a verdade é que o rugby brasileiro, apesar de ocupar uma posição digna no ranking da IRB, ainda está engatinhando. Mesmo assim, o esporte está, de fato, se desenvolvendo a passos quelônicos, ao invés de permanecer totalmente estagnado como tantas outras modalidades. Por isso, é importante que o Brasil fique tomando pau do Chile e do Uruguai nos próximos anos, para quem sabe, estar em pé de igualdade com selecionados que fazem parte do Top 20 num futuro próximo.

15 July, 2008

GreNal de rugby termina empatado

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A notícia é velha, mas como o blogby esteve em um “hiato por tempo indeterminado” na data em que ela aconteceu (outra forma de dizer “mofando na vagabundagem”), resolvi publicar somente agora.

Nos dias 16 e 17 de Fevereiro deste ano, foi realizada na praia de Torres (RS) a 1a. Copa Sul-Americana de Rugby de Areia. A competição contou com a participação de equipes conhecidas do rugby nacional, como o SPAC de São Paulo e o Charrua de Porto Alegre. Porém, o que mais chamou a atenção foi a realização do primeiro GreNal de rugby da história, que terminou empatado em 15 a 15.


Repare como o atleta colorado, mostrando superioridade física e moral, aproveita o ruck para enterrar a cabeça do jogador TCHECO na areia com o joelho, humilhando-o. Observe também que mesmo com uma ronaldesca barriga de chope, nosso pilar manteve o fôlego de forma admirável, garantindo o empate para a representação colorada.

Segundo o site da Prefeitura de Torres, o evento “gerou grande mídia espontânea na televisão e chamou a atenção de muitos turistas, especialmente os argentinos, grandes admiradores e praticantes deste esporte”.

DROPOUT aplaude a iniciativa, pois entende que uma das melhores formas de popularizar o rugby no Brasil é fazê-lo pegar carona com o futebol. No entanto, ainda aguardamos o primeiro GreNal de rugby de fato, pois rugby seven na areia é, no máximo, o equivalente do rugby para o famigerado beach soccer. Além disso, o Grêmio deveria confeccionar uma camiseta com listras horizontais para a ocasião, já que o padrão com listras verticais inexiste no esporte da bola oval.























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