27 January, 2009

Heineken Cup: 6a. rodada

Montauban 13 - 39 Munster

A sexta rodada da Heineken Cup foi bastante prejudicada pelas péssimas condições climáticas que abateram o continente europeu, no último fim de semana. O jogo entre Montauban e Munster, que estava marcado para a última sexta-feira, foi adiado devido a uma ventania de fazer inveja a um furacão caribenho. Uma tempestade com ventos de mais de 170km/h causou a morte de pelo menos 14 pessoas e deixou um rastro de destruição pelo Mediterrâneo.
Por motivos de segurança, a partida foi transferida para o domingo. Também pudera: com tamanho vendaval, seria mais fácil um pilar passar por cima das traves do que a própria bola.
Após a remarcação do jogo, os irlandeses levaram a melhor: 39 a 13, com tries de Tomas O’Leary, Lifeimi Mafi (2) e Barry Murphy (2).

Biarritz Olympique 24 - 10 Gloucester

Os franceses do Biarritz sepultaram as chances do Gloucester de conquistar a classificação, em meio a um enorme banho de lama causado pela chuva. Foi preciso esfregar os olhos para acreditar que o jogo estava sendo realizado na “ensolarada” Biarritz, às margens do Mediterrâneo, e não na escura e molhada Gloucester, que mais parece um banheiro.
O Gloucester entrou em campo precisando da vitória para continuar sonhando com a vaga. No final, acabou surpreendido por um Biarritz já eliminado, jogando de sangue doce. E o pior é que os ingleses não poderão culpar o mau tempo pelo seu infortúnio.

Bath 3 - 3 Toulouse

No domingo, a partida entre Bath e Toulouse, que prometia ser um embate eletrizante, acabou se transformando em uma espécie de amistoso disputado por masoquistas. Os dois times já estavam classificados antes do apito inicial, e a combinação tipicamente britânica de frio intenso, ventos uivantes e tempo úmido acabou resultando em um jogo muito truncado, onde a qualidade foi pouca e os erros foram muitos.


O baixíssimo placar (que entrou para a história como o jogo com o menor número de pontos nas 14 edições da Heineken Cup) acabou sendo o único acontecimento digno de nota nesse odioso espetáculo!

Ospreys 15 - 9 Leicester Tigers

Outro jogo que decidia vaga para as quartas-de-final e que acabou sendo uma grande decepção. O Ospreys precisava apenas vencer para entrar na briga pelo segundo lugar, mas poderia se classificar em primeiro se marcasse 4 tries e vencesse a partida com uma diferença superior a 7 pontos. Os ingleses do Leicester não queriam ficar em segundo lugar de jeito nenhum, e resolveram apelar para a retranca sua inseperável companheira: a ausência de tries. O resultado foi um jogo nauseabundo e repleto de paralisações, onde os pênaltis foram a única forma de pontuação. James Hook acertou cinco para os galeses do Ospreys, enquanto Derrick Hougaard marcou três para o Tigers.

OUTROS RESULTADOS:

Cardiff Blues 62 - 20 Rugby Calvisano
Harlequins 29 - 24 Scarlets
Stade Français 24 - 19 Ulster
Sale Sharks 26 - 17 Clermont Auvergne
Benetton Treviso 16 - 48 Perpignan
Leinster 12 - 3 Edinburgh
Castres Olympique 21 - 15 London Wasps
Glasgow Warriors 13 - 10 Newport-Gwent Dragons

QUARTAS-DE-FINAL:

A fase mata-mata da competição será disputada só daqui a dois meses, nos dias 11 e 12 de Abril. As séries terão apenas um jogo em campo neutro na casa da equipe melhor colocada, o que apesar de ser um formato meio injusto e pilantra, aumenta bastante a intensidade do confronto.

Sábado, 11/04
Cardiff Blues
Toulouse

Sábado, 11/04
Munster
Ospreys

Domingo, 12/04
Harlequins
Leinster

Domingo, 12/04
Leicester Tigers
Bath

A classificação final da fase de grupos está disponível no site da competição.

20 January, 2009

Heineken Cup: 5a. rodada

Scarlets 31 - 17 Stade Français

Após 11 jogos sem vitória, o Scarlets finalmente conseguiu ganhar sua primeira partida na Heineken Cup, batendo o Stade Français por 31 a 17. Olhando o nível de jogo das duas equipes, ninguém poderia adivinhar que o Scarlets era a equipe eliminada e que o Stade era a equipe que lutava pela classificação. Os parisienses apresentaram um rugby bastante sonolento, que rendeu críticas por parte do seu treinador Ewan McKenzie. Ironicamente, o lanterna Scarlets apresentou um ritmo de jogo veloz e envolvente, que garantiu uma tryada para os galeses. Com o resultado, a badalada equipe francesa está eliminada da Heineken Cup. Quem ficou com a vaga no Grupo 4 é o time da virada: o Harlequins, de Londres!

OUTROS RESULTADOS:

Gloucester 12 - 16 Cardiff Blues
Newport-Gwent Dragons 12 - 15 Bath
Calvisano 15 - 23 Biarritz Olympique
Leicester Tigers 53 - 0 Benetton Treviso
Perpignan 17 - 15 Ospreys
Toulouse 26 - 33 Glasgow Warriors
Ulster 21 - 10 Harlequins
London Wasps 19 - 12 Leinster
Clermont Auvergne 43 - 10 Montauban
Edinburgh 32 - 14 Castres Olympique
Munster 37 - 14 Sale Sharks

ÚLTIMA RODADA DA FASE DE GRUPOS:

23/01
Cardiff Blues - Calvisano
Biarritz Olympique - Gloucester

24/01
Harlequins - Scarlets
Stade Français - Ulster
Sale Sharks - Clermont Auvergne
Montauban - Munster
Ospreys - Leicester Tigers
Benetton Treviso - Perpignan

25/01
Leinster - Edinburgh
Castres Olympique - London Wasps
Bath - Toulouse
Glasgow Warriors - Newport-Gwent Dragons

CLASSIFICAÇÃO

Grupo 1 J V E D T S PB PTS
Munster 5 4 0 1 13 37 2 18
Clermont Auvergne 5 3 0 2 12 17 1 13
Sale Sharks 5 2 0 3 11 12 3 11
Montauban 5 1 0 4 4 -66 2 6
Grupo 2 J V E D T S PB PTS
Leinster 5 3 0 2 15 61 4 16
London Wasps 5 4 0 1 7 8 0 16
Edinburgh 5 2 0 3 8 -3 1 9
Castres Olympique 5 1 0 4 3 -66 1 5
Grupo 3 J V E D T S PB PTS
Leicester Tigers 5 4 0 1 23 107 4 20
Ospreys 5 3 0 2 17 78 4 16
Perpignan 5 3 0 2 9 2 1 13
Benetton Treviso 5 0 0 5 4 -187 0 0
Grupo 4 J V E D T S PB PTS
Harlequins 5 4 0 1 12 24 1 17
Stade Français 5 2 0 3 11 17 3 11
Ulster 5 2 1 2 11 -16 0 10
Scarlets 5 1 1 3 9 -25 1 7
Grupo 5 J V E D T S PB PTS
Bath 5 4 0 1 13 15 3 19
Toulouse 5 4 0 1 12 33 2 18
Glasgow Warriors 5 1 0 4 13 -19 4 8
Newport-Gwent Dragons 5 1 0 4 7 -29 2 6
Grupo 6 J V E D T S PB PTS
Cardiff Blues 5 5 0 0 14 61 3 19
Gloucester 5 3 0 2 16 61 3 15
Biarritz Olympique 5 2 0 3 11 19 3 11
Calvisano 5 0 0 5 6 -141 0 0

J - Jogos
V - Vitórias
E - Empates
D - Derrotas
T - Tries marcados
S - Saldo de pontos
PB - Pontos de bonificação
PTS - Pontos

Vitória: 4 pontos
Empate: 2 pontos
Derrota: 0 pontos

Marcar 4 ou mais tries: 1 ponto de bônus
Perder por até 7 pontos de diferença: 1 ponto de bônus

11 January, 2009

Caça à gazela

Filed under: Geral


Se na Irlanda, a mão vermelha é garantia de arranca-rabo ideológico, na África do Sul, outro símbolo tradicional está dando o que falar: o springbok.

O chefe da Comissão Parlamentar dos Esportes, Butana Komphela, iniciou uma campanha para abolir o símbolo máximo do rugby sul-africano, por entender que o serelepe veadinho divide a nação. Os opositores do antílope afirmam que o emblema é um resquício do Apartheid, quando negros e outros não-brancos eram proibidos de participar das seleções nacionais da África do Sul.

A simpática gazelinha é sinônimo da seleção de rugby sul-africana desde 1906 e já apelidou outras equipes esportivas no país, como é o caso da seleção de Cricket. Porém, sua fama internacional veio apenas com o esporte da bola oval. Como na África do Sul, o rugby sempre foi considerado domínio quase que exclusivo dos brancos, o pobre animal ganhou, sem querer, uma conotação racista.

Na verdade, há ocorrências do uso do springbok como símbolo sul-africano fora do esporte e para defender causas totalmente contrárias ao Apartheid. Este texto do Mail & Guardian, da África do Sul, conta a história da Springbok Legion, um movimento de oposição às políticas fascistóides e racistas que ganhavam força no país africano após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Infelizmente, a decisão de Butana Komphela é muito menos uma tentativa de unir o país, e muito mais uma atitude oportunista. Segundo a imprensa australiana, Komphela participou da festa dos Springboks na Copa do Mundo da França em 2007 e estava todo alegrinho na ocasião, vestindo o uniforme da seleção e tudo mais. Se considerasse a gazela tão vergonhosa, não estaria brindando com a camisa verde.

Komphela também parece ter se esquecido que Nelson Mandela, demonstrando grande sabedoria, resolveu adotar a gazelinha como um símbolo de mudança, ao invés de apelar para um revanchismo israelopalestínico. Em 1995, após a seleção do seu país conquistar a Copa do Mundo, o então presidente da África do Sul vestiu abrigo e boné dos Springboks e entregou a taça nas mãos do capitão François Pienaar.

Um antílope, por si só, não vê diferenças entre um homem branco e um homem negro. Pelo contrário, fugiria dos dois da mesma maneira. O antílope sabe que, quando tem homem no pedaço, está arriscando tomar um tiro de espingarda no lombo. Se forem implicar com a gazela, pelo menos façam afirmando que ela é um mascote de fresco!

(Após muito bate-boca, defensores e opositores da gazela entraram em um acordo para pôr fim à polêmica do springbok. O combinado é que agora, além do springbok, a camisa da seleção de rugby sul-africana envergará também a Protea, flor símbolo do país e do esporte sul-africano. Para nós brasileiros, não deixa de ser um consolo saber que em outros países com democracias jovens, os políticos também ocupam seu tempo discutindo coisas absolutamente inúteis.)























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