Árbitro galês admite ser bicha
Só se fala em outra coisa no mundo do rugby! Nigel Owens, de 36 anos, um dos árbitros mais respeitados do País de Gales, afirmou recentemente em sua autobiografia que é gay.

A notícia não é exatamente novidade: Owens (representado na tendenciosa foto acima) havia assumido sua orientação sexual há mais de um ano, em entrevista para um jornal galês. Porém, sua revelação voltou às manchetes graças a recente publicação de seu livro. Nele, o árbitro afirma que chegou a tentar o suicídio, antes de tomar a decisão de contar à família e aos amigos.
Nigel Owens faz parte do quadro internacional da IRB e tem em seu currículo jogos como a final da Heineken Cup de 2008, além de ter apitado partidas na última Copa do Mundo. A visibilidade do árbitro tornou a decisão ainda mais difícil. Imagine você, se um juíz de grande visibilidade no futebol brasileiro resolvesse admitir sua homossexualidade. Digamos que o Armando Marques, na década de 70… imagine você se, hipoteticamente, ele fosse gay, e resolvesse admitir essa sua preferência sexual - meramente hipotética - para o grande público. Seria um grande choque para todos!
Apesar do impacto da revelação, Owens afirma que a recepção, no mundo do rugby, foi bastante positiva. O árbitro completa: “Acho que isso mostra que, especialmente no País de Gales, as pessoas no rugby são muito unidas. Não digo isso contra o futebol, de forma alguma, porque gosto de futebol. Mas acho que, quando pensamos nos torcedores de futebol, se fosse um árbitro desse esporte [admitindo ser gay], seria mais difícil para ele apitar os jogos.”
Nigel Owens toca em um ponto crucial: historicamente, o rugby é identificado com a classe média-alta, o que faz com que o torcedor de rugby seja, em geral, mais educado que o torcedor de futebol. No entanto, a hipocrisia e o zelo excessivo pelas aparências são valores mais cultuados na aristrocracia. O preconceito, nas classes mais abastadas, está normalmente envolto em uma nuvem de falsa aceitação.
Quanto ao povão, este costuma ser imperdoável, implacável, impiedoso, inescrupuloso e outras coisas que começam com i quando o assunto é preconceito. O homem comum, quando resolve ser preconceituoso, está pouco se lixando para o politicamente correto. O que talvez explique por que Nigel Owens seria comido vivo (ui!) se fosse um árbitro de futebol, e não de rugby. Tenho certeza que muita gente no rugby gostaria atirar no rosto do Sr. Owens alguns epítetos bastante ofensivos sobre a sua orientação sexual, mas evitam fazer pela educação que receberam.
