5 December, 2008

Bandeiras e bombas

Filed under: Geral

Semanas atrás, contei aos leitores sobre o meu mais recente hobby espanta-moças: o jogo online Blackout Rugby. Mas afinal, qual hobby não espanta moças? Coleção de carros importados, talvez? Coleção de cartões de crédito? Coleção de relacionamentos amorosos nos quais a mulher é desrespeitada sistematicamente até atingir o sedutor equilíbrio entre a nociva humilhação e a excitante auto-anulação? Talvez estes hobbies não afastem as garotas, mas isto não vem ao caso. Um homem precisa ter suas paixões, independente do lucro que elas possam proporcionar. E como diria Nikolay Gogol, “um homem sem paixões não passa de um nabo”.

Hoje, falarei sobre outro hobby igualmente feminófugo: a vexilologia. Trata-se do estudo das bandeiras, dos estandartes, dos lindos pendões da esperança, das flâmulas e dos seus respectivos verdes-louros que afirmam paz no futuro e glória no passado. Nada melhor do que juntar dois hobbies incompreendidos - o rugby e o estudo de bandeiras - em um único post.

Certamente, o inteligente leitor do blog deve ter observado que a bandeira da Irlanda, nos posts sobre a Heineken Cup, não é a verdadeira bandeira do país. Observamos uma bandeirinha multi-colorida, cujos detalhes são difíceis de precisar:


Não é só no blogby que utilizamos uma bandeira diferente para representar a Irlanda. O próprio site da(o) IRB faz uso de uma bandeirinha esquisita, cheia de badalhocas:


Para quem está atrasado nos estudos: a Irlanda é uma ilha ao lado da Grã-Bretanha. Dois estados soberanos se fazem presentes nela: a República da Irlanda e o Reino Unido, que está representado por uma “unidade federativa” chamada Irlanda do Norte.

Embora exista uma bandeira para representar apenas os “seis condados ocupados pelos porcos britânicos”, como preferem os partidários do IRA, o seu uso não é oficial desde 1972. Em orgãos públicos, a única bandeira aceita é a bandeira do Reino Unido: a tradicional “Union Jack”.

Abaixo, a bandeira que só perde em identificação imediata para a bandeira da Alemanha Nazista, acompanhada da “Ulster Banner”, da Irlanda do Norte:


O uso da Ulster Banner como símbolo da Irlanda do Norte é muito mais disseminado entre os unionistas, que desejam permanecer vinculados ao Reino Unido. Os nacionalistas/republicanos, que defendem a união do estado ao norte da ilha com a República da Irlanda, preferem utilizar a bandeira deste país, que nada mais é do que uma bandeira da Itália meio desbotada:

Se existem bandeiras para representar as duas Irlandas, por que então usar outras bandeiras? Isso acontece porque, no rugby, a Irlanda disputa com um único time de toda a ilha, para desgosto dos unionistas. A IRB utiliza uma bandeira específica para representar o time de rugby irlandês em seu site (é a versão ampliada da bandeirinha que foi citada mais acima):


O símbolo ao centro é o símbolo da Irish Rugby Football Union, a entidade que regulamenta o rugby na ilha. Mas e quanto aos quatro brasões ao seu redor? São as armas das quatro províncias da Irlanda. No sentido horário: Ulster, Leinster, Connacht e Munster.

Abaixo, a bandeira das quatro províncias:


O leitor certamente percebeu que a bandeira da província de Ulster é diferente da Ulster Banner. Além do fundo amarelo, percebemos a ausência daquela pernóstica coroa ao topo, símbolo da presença britânica no norte da ilha. Isso acontece porque nem toda a província de Ulster pertence ao Reino Unido. Dos 9 condados, seis estão nas mãos da rainha. Os outros 3 integram a República da Irlanda.

Assim, por extrema punhetagem vexilológica, não seria adequado utilizar a Ulster Banner para representar a equipe do Ulster, e a bandeira da Republica da Irlanda para as demais equipes irlandesas. Optamos por usar a bandeira das quatro províncias unidas, por entender que a bandeira com o símbolo da IRFU deveria ser usada apenas em contextos onde a equipe nacional se faz presente. Da mesma forma, embora seja possível usar a bandeirinha da República da Irlanda para representar toda a ilha, isso poderia emputecer significativamente a moçada legalista. A bandeira das quatro províncias, embora possa desagradar aos nacionalistas mais exaltados que flertam com o IRA, é a alternativa mais neutra possível.























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