O rugby nas Olimpíadas

Para muitos, os Jogos Olímpicos não são apenas uma oportunidade de criar enorme antipatia pelo nadador Michael Phelps: representam também uma chance de conhecer novos e insólitos esportes. Mais do que isso, é a possibilidade de ver os jornalistas esportivos e recreativos da Rede Globo fazendo matérias sobre modalidades desconhecidas, sempre abusando da entonação de jogral e do humor infanto-juvenil. Se alguém no Brasil sabe que diabos é Badminton, é porque o esporte está nas Olimpíadas.
Compreendendo o poder dos Jogos Olímpicos para a divulgação de esportes que lutam por maior popularidade, a IRB lançou uma campanha para incluir novamente o rugby nas Olimpíadas. A última vez que o esporte da bola oval participou do evento foi em 1924, nos Jogos de Paris. Desde então, o rugby nunca mais colocou os pés em um evento olímpico.
Atualmente, para um esporte entrar em uma Olimpiada, não é mais aquela zona de outros tempos (alguém aí falou em Vôlei de Praia?). O COI já afirmou que novos esportes só entrarão se outros forem retirados. Como o Beisebol e sua irmã sapatão, o Softbol, não farão mais parte dos Jogos Olímpicos de 2012, uma boa oportunidade surge para o rugby.
Bastante popular na Inglaterra, país das próximas Olimpíadas, o rugby tem uma cultura identificada com o amadorismo, o espírito esportivo e um monte de outros valores muito apreciados e pouco difundidos pelo Comitê Olímpico Internacional, além de ser praticado em mais de 100 países. Certamente, pontos positivos não irão faltar a seu favor, na hora da decisão.
É importante ressaltar que a campanha da IRB planeja incluir somente o Rugby Sevens, a variação do rugby com sete jogadores de cada lado. Considerada ideal para introduzir o esporte ao público com déficit de atenção, o Sevens é praticamente igual ao tradicional Rugby Union, sendo apenas mais rápido, zoado e infestado de tries. A colocação do Union nas Olimpíadas só será cogitada a partir de 2016, embora sua presença já esteja confirmadaça nos Jogos Pan-Americanos de 2011, em Guadalajara.
Será excelente ver nossos paulista lutando por um bom quinto lugar, o que certamente receberia alguma atenção da imprensa brasileira. A cobertura olímpica das emissoras do nosso país tem a tendência de transmitir tudo o que é coletivo e envolve o Brasil, mesmo não havendo qualquer chance de medalha ou interesse do público. O famigerado Handebol é a prova máxima disso.
Por isso, é importante não apenas torcer para o COI recolocar o rugby, como também secar o Rio de Janeiro na briga pelas Olimpíadas de 2016. Não podemos deixar o Brasil estragar tudo, fazendo lobby para a colocação do Showbol nos Jogos Olímpicos. A popularização do rugby no mundo não pode ser arruinada por estes caprichos tropicais. Nas Olímpiadas de 2016, quero ver Fiji faturando, no Sevens, a sua primeira medalha da história, não um competidor do hipismo ameaçando interromper a prova porque a organização do evento perdeu o seu cavalo. Abrace essa causa você também!
