A turma do gueto

Gurizada jogando rugby em Uganda
Existe um senso comum de que o rugby é muito mais popular ao redor do mundo do que aparenta ser. Seguidamente ouvimos falar que a Copa do Mundo da modalidade é o terceiro evento esportivo mais assistido no planeta, perdendo apenas para a Copa de Futebol e para as Olímpiadas. Fala-se também no alto número de países onde o esporte é praticado. No entanto, segundo um relatório apresentado por duas empresas de consultoria da Inglaterra, essa realidade é totalmente ilusória, e o rugby está “preso em um gueto”, nas palavras dos consultores.
O relatório, intitulado “Putting Rugby First”, teve a co-autoria de Quentin Smith, presidente do tradicional clube inglês Sale Sharks. Os números não deixam de ser alarmantes, além de servirem como um bom tapa-nos-beiço da IRB: dos 33 milhões de espectadores da última Copa, apenas 3% não se encontravam localizados nas 8 “nações fundadoras” (Inglaterra, Irlanda, Escócia, País de Gales, França, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul).
Enquanto o futebol optou por levar o esporte aos confins mais remotos e escrotos do planeta, o rugby resolveu fincar os pés nos países onde já é tradicional. O resultado foi um cenário atípico, onde 115 países são filiados à IRB, mas em apenas um punhado deles o rugby goza de significativa popularidade.
Obviamente, a maior parcela de culpa recai sobre a IRB. Considerada antidemocrática pelo relatório, por concentrar um poder excessivo nas mãos dos países tradicionais, a entidade ofereceu mais um bom exemplo de sua mentalidade recentemente: preteriu o Japão à Nova Zelândia, na hora de escolher a sede da próxima Copa do Mundo, em 2011.
A nação dos All Blacks é um país de população pequena, onde o rugby já é popular e cujo mercado para esse esporte está completamente saturado. Todos sabiam que o Japão seria a escolha ideal. Japoneses lotam estádio até para assistir vôlei de praia com desfile de cães no intervalo. Além disso, o rugby local está se desenvolvendo a passos largos. Levar a Copa para o Japão não seria bom apenas para o rugby daquele país; seria bom para o rugby em todo o continente asiático, oferecendo boas oportunidades para o esporte ingressar no sedutor e garanhão mercado chinês. Porém, na hora H, o carteiraço neo-zelandês falou mais alto. É pra aprender a não mexer com o gueto, mano!
DROPOUT acredita que o ser humano é inerentemente bom, e só começa a fazer esculhambação depois que entra em contato com a sociedade. Por isso, achamos que esse conflito entre o pessoal do gueto e o pessoal de fora é ruim para o esporte. Só vai colocar mais grade, cerca elétrica e pitbull assassino arrancando mão de carteiro no mundo do rugby… É preciso diálogo, pessoal. Diálogo! Vamos nos dar as mãos e democratizar essa naba de uma vez. Até porque quando todos estão de mãos dadas, ninguém rouba a carteira de ninguém…

esse último paragrafo tá um espetáculo. E esse tapa nos beiço também me pegou, achei que era mais universal.
Comment por Menezes — 29 August, 2008 @ 2:48 am