Em país de descamisado, quem veste a camisa é jogador dos Pumas.

Em pesquisa recente realizada pelo Diário Olé, a seguinte pergunta foi feita aos leitores: ¿Cuál es la Selección que siente más la camiseta argentina? (”Sentir a camiseta”, aqui, refere-se ao espírito de luta e doação, não ao ato de pipocar). As opções eram a albiceleste do futebol, a seleção de basquete, os Pumas do rugby e as Leonas do insólito hóquei na grama feminino.
A encuesta apontou os Pumas em primeiro lugar com amplo domínio sobre as outras alternativas. 57,2% dos mais de 50 mil votantes escolheram a seleção de rugby como a mais aguerrida.
Em segundo lugar, com apenas 18,1% dos votos, ficou a seleção de futebol, seguida de perto pela de basquete, que somou 16%. A seleção feminina de hóquei na grama ficou em último lugar, com apenas 8,7% dos votos. (Da próxima vez, vistam a camisa e peguem no taco como se fosse um jundiá fora d’água, suas vagabundas!).
De fato, a forma como os jogadores de rugby da pátria dos descamisados se emocionam com mucha passión ao ouvir o hino argentino é comovente (muchos llorán, inclusibe). Isso gera uma identificação imediata com o cidadão comum, que vê 15 atletas em campo representando o seu povo, e não um bando de vagabundos mascando chiclete e pensando no próximo contrato que vão assinar com o Manchester United. Mesmo com o rugby sendo apenas o terceiro esporte em popularidade, os Pumas ganharam o reconhecimento de todo uma nação na última Copa.
O que nos leva a outro importante assunto que abalou o rugby argentino na última semana: a aposentadoria internacional do capitão Agustín Pichot (o terceiro da esquerda à direita, na foto). Ficha, como é conhecido em seu país, afirmou que decidiu parar de defender as cores da Argentina por não se considerar mais em boa forma física e técnica. O scrum-half de 33 anos liderou o seu time às semifinais da Copa de 2007, sendo um dos principais jogadores da equipe. É uma atitude honrada, que mostra o comprometimento dos atletas com uma causa em comum: representar bem o país, sem brincar em serviço.
Ah, se nossos futebolistas tivessem o mesmo senso de dignidade dos rugbiers argentinos. Fico imaginando o Gilberto Silva falando pro Dunga “professor, com esse meu futebolzinho, atualmente só dá pra jogar no Panathinaikos e olhe lá…”, ou o Robinho convocando uma coletiva de imprensa para comunicar aos torcedores: “Resolvi solicitar minha aposentadoria na seleção por ter me dado conta de que sou um baita pipoqueiro. Não quero prejudicar a seleção do meu país com meus dribles cretinos e ineficientes. Além do mais, toda vez que puxo a sunga do Diego na banheira de hidromassagem, sinto uma sensação estranha percorrer meu corpo.”. Mas não… Em vez disso, só o que temos são pesadelos onde o Cafu aparece vestindo a camisa da seleção na Copa da África do Sul, aos gritos de “EU FALEI QUE AINDA NÃO TINHA ME APOSENTADO!”.
