17 July, 2008

Em país de descamisado, quem veste a camisa é jogador dos Pumas.

Filed under: Geral


Em pesquisa recente realizada pelo Diário Olé, a seguinte pergunta foi feita aos leitores: ¿Cuál es la Selección que siente más la camiseta argentina? (”Sentir a camiseta”, aqui, refere-se ao espírito de luta e doação, não ao ato de pipocar). As opções eram a albiceleste do futebol, a seleção de basquete, os Pumas do rugby e as Leonas do insólito hóquei na grama feminino.

A encuesta apontou os Pumas em primeiro lugar com amplo domínio sobre as outras alternativas. 57,2% dos mais de 50 mil votantes escolheram a seleção de rugby como a mais aguerrida.

Em segundo lugar, com apenas 18,1% dos votos, ficou a seleção de futebol, seguida de perto pela de basquete, que somou 16%. A seleção feminina de hóquei na grama ficou em último lugar, com apenas 8,7% dos votos. (Da próxima vez, vistam a camisa e peguem no taco como se fosse um jundiá fora d’água, suas vagabundas!).

De fato, a forma como os jogadores de rugby da pátria dos descamisados se emocionam com mucha passión ao ouvir o hino argentino é comovente (muchos llorán, inclusibe). Isso gera uma identificação imediata com o cidadão comum, que vê 15 atletas em campo representando o seu povo, e não um bando de vagabundos mascando chiclete e pensando no próximo contrato que vão assinar com o Manchester United. Mesmo com o rugby sendo apenas o terceiro esporte em popularidade, os Pumas ganharam o reconhecimento de todo uma nação na última Copa.

O que nos leva a outro importante assunto que abalou o rugby argentino na última semana: a aposentadoria internacional do capitão Agustín Pichot (o terceiro da esquerda à direita, na foto). Ficha, como é conhecido em seu país, afirmou que decidiu parar de defender as cores da Argentina por não se considerar mais em boa forma física e técnica. O scrum-half de 33 anos liderou o seu time às semifinais da Copa de 2007, sendo um dos principais jogadores da equipe. É uma atitude honrada, que mostra o comprometimento dos atletas com uma causa em comum: representar bem o país, sem brincar em serviço.

Ah, se nossos futebolistas tivessem o mesmo senso de dignidade dos rugbiers argentinos. Fico imaginando o Gilberto Silva falando pro Dunga “professor, com esse meu futebolzinho, atualmente só dá pra jogar no Panathinaikos e olhe lá…”, ou o Robinho convocando uma coletiva de imprensa para comunicar aos torcedores: “Resolvi solicitar minha aposentadoria na seleção por ter me dado conta de que sou um baita pipoqueiro. Não quero prejudicar a seleção do meu país com meus dribles cretinos e ineficientes. Além do mais, toda vez que puxo a sunga do Diego na banheira de hidromassagem, sinto uma sensação estranha percorrer meu corpo.”. Mas não… Em vez disso, só o que temos são pesadelos onde o Cafu aparece vestindo a camisa da seleção na Copa da África do Sul, aos gritos de “EU FALEI QUE AINDA NÃO TINHA ME APOSENTADO!”.























Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Naoko M