11 January, 2008

Barbarians: O Trianon do Rugby

Filed under: História do Rugby


Depois de um mês inteiro apenas assistindo jogos do tipo “Amigos da Onça x Seleção de Craques, Viúvas do Garrincha x Filhos de Pelé, Médicos x Transplantados, Motoristas x Atropelados, Jogo contra a fome, Jogo beneficiente para comprar uma sunga para o primo do Claudiomiro, etc.”, nada melhor do que um post sobre um dos times festivos mais famosos do rugby, o Barbarian FC.

Em 1890, William Percy Carpmael realizava uma turnê pela região inglesa de Yorkshire, jogando rugby com um time formado às pressas. Contrariando as expectativas, a turnê foi uma verdadeira Copa Dubai para William e seus amigos. A equipe genérica apresentou excelente nível de jogo e proporcionou muita diversão aos atletas, além de dar muito trabalho aos adversários.

Como não era trouxa, William sabia que ficar dando volta pelo país enchendo a cara e batendo uma bolinha não era o tipo de coisa que deveria ser feito apenas uma vez na vida. Foi então que surgiu o Barbarian Football Club: uma equipe itinerante e comprometida com um rugby ofensivo, empolgante e, acima de tudo, limpo. Esse ideal seria eternizado pelo lema do clube: “O rugby é um esporte para cavalheiros de todas as classes, mas nunca para vagabundos, seja qual for a classe” (o “vagabundo” eu acrescentei livremente; a tradução ideal seria “mau esportista”).

Além do comprometimento com o cavalheirismo, o Barbarian inovava pelo seu progressismo, pois determinava que qualquer jogador poderia vestir a camisa do clube, independente de sua classe social, raça ou credo. Para ser convidado pelos Barbarians, bastava ter habilidade e espírito esportivo. É claro que naquele tempo, tanto no rugby quanto no futebol, negros tinham acesso dificultado a atividades desportivas. Portanto, fica meio difícil saber se essa regra foi seguida à risca ou se não passou de uma enrolação que, de tão hipócrita, faria telejornalista gaúcho corar.

Os Barbarians jogam com camisas listradas em banco e preto e calções pretos desde sua fundação. Seu uniforme também apresenta uma curiosa exceção à regra geral: os jogadores conservam as meias da sua equipe de origem, como você pode ver na foto abaixo:


Apesar de assemelhar-se a um enfadonho Trianon, aplicando ao mundo do rugby coisas como gols de bunda do Assis, as partidas dos Barbarians são levadas a sério e estão enraizadas na cultura do esporte de forma quase ritual. A influência do time é tão marcante no rugby que, segundo a opinião geral, o maior try coletivo de todos os tempos foi marcado em uma partida da equipe contra o All Blacks em 1973. Veja abaixo como foi. (Repare que em 0:58 tem um passe para a frente, que o juíz não apitou para evitar ser morto a pauladas por uma horda de cavalheiros com espírito esportivo…).


2 Comentários »

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  1. Cabral daria nota 4 pra jogada.

    Comment por Menezes — 14 January, 2008 @ 12:35 am

  2. Gosto da parte em que o cara da Nova Zelândia dá um BAGO pra frente e o narrador diz “ISSO É COISA BOA!”

    Comment por Hilton — 14 January, 2008 @ 1:57 pm

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