Ray Gravell: 1951 - 2007 (Quem?)
Ray Gravell (foto, barbudo), uma das maiores lendas do rugby no País de Gales - lugar onde o esporte é extremamente popular - faleceu há duas semanas, aos 58 anos de idade (você ouviu primeiro aqui!). Ray não conseguiu resistir a várias complicações provocadas pela diabete, doença com a qual lutava desde 2000. Deixa na latrina-de-Deus esposa e duas filhas.

Normalmente, nem escreveria um obituário para alguém que desconhecia até semana passada, mas o seu falecimento aconteceu exatamente no mesmo dia da inauguração desse blog: 31 de Outubro de 2007. Creio que uma homenagem é válida. Além disso, Gravell possui uma bonita história de vida, que merece ser relatada. Com a bênção da deusa celta da desinformação, Googlyel, apresentarei a vocês um dos maiores jogadores da história desse esporte!
Nascido em 1951 na cidade de Kidwelly, Ray Gravell cresceu e viveu na vizinha Mynydd-y-Garreg (pronuncia-se Munudugarrreg). Filho de um minerador de carvão, Ray teve momentos difíceis em sua juventude. Ainda garoto, encontrou o corpo do pai que se suicidara perto de casa. O episódio teve um profundo impacto na vida do jovem Ray, mas segundo fontes, não abalou a sua disposição. “Grav”, como era conhecido pelo público, sempre esbanjou simpatia e jovialidade, onde quer que fosse. Sua alegria era tanta que fez brincadeira mesmo após ter uma de suas pernas amputadas, devido à sua enfermidade. Fez alusão ao fato do chute nunca ter sido o seu forte. Mais tarde, apareceu em um programa de televisão ostentando orgulhosamente uma prótese feita com madeira galesa legítima.
(É necessário acender o alerta para o heroísmo post-mortem nesse exato parágrafo. É de conhecimento popular a tendência do ser humano para cobrir de elogios o primeiro defunto que dobra a esquina. Não obstante, afirmo que ainda é possível discernir traços positivos no caráter de um recém-expirado, baseado nos elogios que lhe são atribuídos. Quando alguém é agradável e bem intencionado, observa-se uma freqüência maior na citação dessas qualidades em diversos serviçais fúnebres. É o que observo nos obituários de Ray Gravell. No entanto, quando alguém passou a vida inteira enchendo o saco, é normal ouvir algo do tipo “Era um marido íntegro e um pai responsável. Um homem que lutou pelo o que acreditava. Desenvolveu com competência seu ofício como fiscal de Tesouraria, atividade que exerceu durante 45 anos”, etc.)
Gravell jogava de centro. Ficou famoso pelo seu vigor defensivo, sua velocidade e principalmente, seu aguerrimento, quase lendário quando defendia a seleção de seu país. Jogou durante toda a sua carreira no Llanelli (pronuncia-se Hshlanehshli), onde ajudou a equipe a conseguir uma vitória antológica contra o All Blacks, em 1972. Vestiu a camisa da seleção galesa 23 vezes (número alto para o rugby, naquele tempo) e representou os Lions, uma seleção de atletas britânicos e irlandeses, em notória turnê contra a África do Sul em 1974.
Depois de pendurar as chuteiras, Ray virou comentarista esportivo da BBC de Gales e até atuou em alguns filmes, contracenando com o excelente Jeremy Irons e com a MILF tesão Juliette Binoche. Falante nativo do idioma galês, Grav era fortemente ligado à cultura do seu país, inclusive participando de cerimônias folclóricas. Na foto abaixo, o craque segura uma espada grande, no centro:

Eis um homem que, mesmo usando barba a vida inteira, sempre teve o prestígio de todos. É um privilégio para poucos. Com certeza, deixará saudades na sua terra!

isso é uma merda,caralho
Comment por karina — 11 September, 2009 @ 2:27 pm