27 November, 2007

Maluco invade jogo de rugby e mata seis

A manchete aí de cima é só pra chamar atenção. Para a decepção de todos, esse post não irá narrar um terrível banho de sangue. Na cobertura que realizei sobre a Copa da França, mencionei que um bobalhão invadiu o campo na final entre África do Sul e Inglaterra, avacalhando geral. Na época, não existiam vídeos disponíveis na rede sobre o incidente (e eu também não sabia como postá-los num blog). Recentemente, encontrei um registro dessa imbecil cena naquele famoso site de vídeos, o Entube. Normalmente, não daria cartaz para esses mangolãos (plural de mangolão é mangolões ou mangolãos?). No entanto, a cena possui um inegável potencial hilariante. Por isso, resolvi abrir uma exceção. Acompanhe abaixo a palhaçada:


14 November, 2007

Ray Gravell: 1951 - 2007 (Quem?)

Ray Gravell (foto, barbudo), uma das maiores lendas do rugby no País de Gales - lugar onde o esporte é extremamente popular - faleceu há duas semanas, aos 58 anos de idade (você ouviu primeiro aqui!). Ray não conseguiu resistir a várias complicações provocadas pela diabete, doença com a qual lutava desde 2000. Deixa na latrina-de-Deus esposa e duas filhas.


Normalmente, nem escreveria um obituário para alguém que desconhecia até semana passada, mas o seu falecimento aconteceu exatamente no mesmo dia da inauguração desse blog: 31 de Outubro de 2007. Creio que uma homenagem é válida. Além disso, Gravell possui uma bonita história de vida, que merece ser relatada. Com a bênção da deusa celta da desinformação, Googlyel, apresentarei a vocês um dos maiores jogadores da história desse esporte!

Nascido em 1951 na cidade de Kidwelly, Ray Gravell cresceu e viveu na vizinha Mynydd-y-Garreg (pronuncia-se Munudugarrreg). Filho de um minerador de carvão, Ray teve momentos difíceis em sua juventude. Ainda garoto, encontrou o corpo do pai que se suicidara perto de casa. O episódio teve um profundo impacto na vida do jovem Ray, mas segundo fontes, não abalou a sua disposição. “Grav”, como era conhecido pelo público, sempre esbanjou simpatia e jovialidade, onde quer que fosse. Sua alegria era tanta que fez brincadeira mesmo após ter uma de suas pernas amputadas, devido à sua enfermidade. Fez alusão ao fato do chute nunca ter sido o seu forte. Mais tarde, apareceu em um programa de televisão ostentando orgulhosamente uma prótese feita com madeira galesa legítima.

(É necessário acender o alerta para o heroísmo post-mortem nesse exato parágrafo. É de conhecimento popular a tendência do ser humano para cobrir de elogios o primeiro defunto que dobra a esquina. Não obstante, afirmo que ainda é possível discernir traços positivos no caráter de um recém-expirado, baseado nos elogios que lhe são atribuídos. Quando alguém é agradável e bem intencionado, observa-se uma freqüência maior na citação dessas qualidades em diversos serviçais fúnebres. É o que observo nos obituários de Ray Gravell. No entanto, quando alguém passou a vida inteira enchendo o saco, é normal ouvir algo do tipo “Era um marido íntegro e um pai responsável. Um homem que lutou pelo o que acreditava. Desenvolveu com competência seu ofício como fiscal de Tesouraria, atividade que exerceu durante 45 anos”, etc.)

Gravell jogava de centro. Ficou famoso pelo seu vigor defensivo, sua velocidade e principalmente, seu aguerrimento, quase lendário quando defendia a seleção de seu país. Jogou durante toda a sua carreira no Llanelli (pronuncia-se Hshlanehshli), onde ajudou a equipe a conseguir uma vitória antológica contra o All Blacks, em 1972. Vestiu a camisa da seleção galesa 23 vezes (número alto para o rugby, naquele tempo) e representou os Lions, uma seleção de atletas britânicos e irlandeses, em notória turnê contra a África do Sul em 1974.

Depois de pendurar as chuteiras, Ray virou comentarista esportivo da BBC de Gales e até atuou em alguns filmes, contracenando com o excelente Jeremy Irons e com a MILF tesão Juliette Binoche. Falante nativo do idioma galês, Grav era fortemente ligado à cultura do seu país, inclusive participando de cerimônias folclóricas. Na foto abaixo, o craque segura uma espada grande, no centro:


Eis um homem que, mesmo usando barba a vida inteira, sempre teve o prestígio de todos. É um privilégio para poucos. Com certeza, deixará saudades na sua terra!

10 November, 2007

Começa a Heineken Cup

Ontem, foi dado o pontapé inicial para a maior competição de clubes da Europa, a Heineken Cup (também chamada de Copa Européia de Rugby). O torneio conta com a participação de 24 equipes dos 6 países que integram a Six Nations. O regulamento é simples: os times dividem-se em 6 grupos, com 4 equipes cada. O primeiro de cada grupo e os dois melhores segundo colocados classificam-se para as quartas-de-final.

Se você havia deduzido o número de times  após eu informar o número de grupos, parabéns: você é criação do sistema educacional brasileiro pré-1995. Aparentemente agora, na rede estadual, não obrigam mais a gurizada a decorar tabuada.  Dizem que é anti-pedagógico, que não ensina o aluno a pensar e o cacete-em-toga. Eu até pensaria a respeito, se pelo menos a gurizada de hoje em dia soubesse ler. Creio que não saber construir uma frase hoje em dia é parte de um revolucionário conceito pedagógico.

Mas voltando ao rugby: a fase de grupos da Heineken Cup vai até 20 de Janeiro de 2008. A final está agendada para o dia 23, 24 ou 25 de Maio do próximo ano, e seguirá o formato Liga dos Campeões da UEFA, com um jogo em campo neutro. Os favoritos, como sempre, são os times ingleses e franceses, com os irlandeses correndo por fora. Desde a primeira edição do torneio, em 1995, nenhuma equipe dos outros três países (Escócia, País de Gales e Itália) conseguiu vencer o torneio. Aos italianos, cabe apenas o trabalho de divertir o público brasileiro, com a participação de uma equipe chamada Viadana.

Em geral, o primeiro nível do rugby europeu é muito bom de assistir. Devido aos resquícios do amadorismo, que só foram eliminados em 1995, ainda é possível ver jogos internacionais sendo realizados em estádios acanhados e com aquele peculiar tipo de iluminação, que faz os jogadores projetarem até 18 sombras no campo. Numa época em que a FIFA exige poltronas de avião nos estádios, é reconfortante ver uma competição esportiva de alto nível sendo realizada em estádios que oferecem graves problemas de segurança no caso de um incêndio.

Veja abaixo os grupos, com bandeirinhas!

GRUPO 1 

Benetton Treviso
Newport Gwent Dragons
London Irish
Perpignan

GRUPO 2 

Bourgoin
Gloucester
Ospreys
Ulster

GRUPO 3 

Bristol
Cardiff Blues
Harlequins
Stade Français

GRUPO 4 

Biarritz Olympique
Glasgow Warriors
Saracens
Viadana (DROPOUT apoiará. Cruzes!) 

GRUPO 5 

Clermont
Llanelli Scarlets
London Wasps
Munster

GRUPO 6 

Edinburgh
Leicester Tigers
Leinster
Toulouse 

4 November, 2007

Atletas porcos irritam pais com dificuldades de educar filhos

Filed under: Geral, Irrelevâncias

Uma campanha publicitária estrelada por um Tudo-Preto está causando polêmica na Nova Zelândia. Criada pela agência Colenso BBDO e solicitada pela New Zealand Dairy Foods, a propaganda mostra o astro dos All Blacks Leon McDonald bebendo um leitinho direto do gargalo (foto). Um pai zeloso e com óbvias dificuldades para educar seus filhos reclamou para o órgão fiscalizador da publicidade naquele país que “tenta ensinar seus filhos a não beberem leite direto da garrafa, e agora vem o pessoal do time de rugby e bebe leite direto da garrafa”. A entidade ignorou o pedido.

null

No fundo, ele tem razão: beber leite no gargalo, além de ser anti-higiênico, azeda. Mas, por Deus, eu não quero viver em um planeta onde as crianças são educadas por peças publicitárias. Dá um tapanosbeiço do guri, diz que “jogador de rugby é tudo porco” e tá resolvido.

Há um seleto grupo de países onde as liberdades individuais dos cidadãos são tão respeitadas que até esse tipo de frescura vira notícia. A propósito, o Brasil não faz parte desse grupo.

2 November, 2007

Rugby + Futebol Americano = Carniça

Filed under: Geral, Irrelevâncias

Um dos motivos que impedem a popularização do rugby no Brasil é a sua semelhança com o tenebroso futebol americano, esporte que provoca náuseas em qualquer pessoa sensata. Mesmo com todo o poderio econômico dos nossos supergordos vizinhos de continente, ninguém até hoje conseguiu levar o modelo yank do futebol para fora dos EUA. Talvez seja porque todos os filmes norte-americanos mostrem os praticantes do esporte como cretinos incivilizados que gostam de mostrar a bunda. Talvez seja porque o esporte em questão é chato pra cacete. Não sabemos. O fato é que, sem um superego colossal para elevar os envolvidos no esporte ao status de semideuses, fica realmente difícil apreciar um jogo que pára a cada cinco segundos. Dessa forma, o rugby acaba sendo injustiçado pelo formato da sua bola, visto que as semelhanças com o jogo dos americanos são mínimas, hoje em dia.

Entretanto, no último sábado, o time de futebol americano da Trinity University provou que o rugby é um esporte muito melhor que o futebol-de-capacete praticado naquele país. E por incrível que pareça, fizeram isso jogando futebol americano.

Em uma disputada partida contra o time de Millsaps, o Trinity perdia por 24 a 22 e só poderia vencer a partida com um touchdown, uma vez que a distância não permitia ao time visitante chutar em gol. Faltando dois segundos para o cronômetro estourar, a equipe em desvantagem mandou a bola para o quarterback, que deu um passe de 10 metros para o jogador Shawn Thompson. (Para quem não sabe, o quarterback é o cara que faz tudo no jogo de futebol americano, tornando todos os outros jogadores inúteis).

Até aí, tudo bem. Era apenas mais uma enfadonha jogada daquele esporte. Foi quando o jogador Shawn Thompson deu início a uma série de quinze passes para trás (chamados “laterals”), que culminaram em um touchdown de Riley Curry, quase um minuto após o cronômetro zerar. Como no futebol americano o jogo só acaba quando a jogada pára, e só há limite de passes para frente, a jogada foi considerada legal. Não seria um equívoco dizer que o Trinity venceu a partida jogando rugby.

Abaixo, disponibilizo o vídeo para vocês. Recomendo que baixem o volume de seus alto-falantes, pois os narradores fazem um estardalhaço que é de fazer Galvão Bueno corar as bochechas. Nos EUA, dirão que foi o entusiasmo de ver uma jogada altamente improvável dar certo. No entanto, estou apostando que foi a surpresa de ver uma jogada durar mais de vinte segundos.

Enquanto o lance era manchete dos principais noticiários americanos, apreciadores de rugby apenas olhavam com um sorrisinho no canto da boca, como quem vê o irmão menor descobrir o rock n’ roll…
























Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Naoko M