31 December, 2008

Sangue nas mãos

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No post Bandeiras e Bombas, escrevi sobre a questão dos símbolos nacionais irlandeses. Ciente de que o leitor comum provavelmente adormeceu no segundo parágrafo, reservei um post em separado para falar da parte mais interessante da história: a origem da mão vermelha de O’Neill, um dos símbolos mais famosos da província de Ulster. Tão famoso, que está presente em bandeiras regionais e nos distintivos de clubes esportivos, como é o caso do Ulster Rugby:


Segundo o folclore irlandês, houve uma época em que o trono de Ulster estava sem um herdeiro legítimo. Dois homens candidataram-se a ocupá-lo: um era Dermott, e outro era O’Neill. A população ficou dividida, e muitas batalhas foram travadas entre os partidários de O’Neill e os partidários de Dermott. O rei da Irlanda, irritado com o impasse, propôs que o rei de Ulster fosse decidido em uma regata. Os dois postulantes atravessariam um lago, e o primeiro a chegar do outro lado seria proclamado rei.

A regata foi disputada proa a proa, e tudo indicava que a decisão ficaria para o ainda-não-inventado photochart. Porém, Dermott assumiu a ponta no final da prova e já preparava-se para comemorar, vestindo uma camiseta com os dizeres “100% ULSTER”. O’Neill, no entanto, amava tanto aquela terra que resolveu, em um esforço desesperado, cortar a mão fora e atirá-la na margem do lago. Então, a mão de O’Neill aterrisou na areia, tingida de sangue e vitoriosa! O rei da Irlanda, demonstrando pouco rigor em sua decisão, declarou O’Neill (e não apenas a sua mão) o novo rei de Ulster!

A versão oficial da lenda afirma que O’Neill cortou a mão porque era tão apaixonado por Ulster, que estaria disposto a qualquer sacrifício para ser o rei daquela terra. Na minha opinião, decepou a própria mão porque estava embriagado pelo poder! Perder o trono em uma regata era inaceitável para o ganancioso O’Neill, que preferia - literalmente - perder uma parte do seu corpo a perder a coroa. Sempre que os olhos de um homem brilham diante da sensação de poder, alguém perde a mão, o braço, a perna e - principalmente - a cabeça! Quem poderia garantir que a próxima declaração de amor à Ulster não viria sob a forma de gargantas inocentes vertendo sangue? Ninguém, até hoje!

Historicamente, a mão vermelha de Ulster é um símbolo ligado à cultura gaélica. É esse o sentido buscado pelos clubes esportivos da região, que adotam a mão em seus escudos. Entretanto, nos tempos modernos, a mão vermelha passou a ter uma identificação mais forte com os unionistas, que defendem a permanência da Irlanda do Norte no Reino Unido. Dois grupos paralimitares legalistas, de oposição ao IRA, fazem referência ao símbolo em seus nomes: um é o Red Hand Commando, e o outro é o Red Hand Defenders. Assim como a cruz suástica, que existia há mais de dois mil anos, a mão vermelha de Ulster parece ter perdido a sua simbologia original, graças a uma deturpação política.

29 December, 2008

Árbitro galês admite ser bicha

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Só se fala em outra coisa no mundo do rugby! Nigel Owens, de 36 anos, um dos árbitros mais respeitados do País de Gales, afirmou recentemente em sua autobiografia que é gay.


A notícia não é exatamente novidade: Owens (representado na tendenciosa foto acima) havia assumido sua orientação sexual há mais de um ano, em entrevista para um jornal galês. Porém, sua revelação voltou às manchetes graças a recente publicação de seu livro. Nele, o árbitro afirma que chegou a tentar o suicídio, antes de tomar a decisão de contar à família e aos amigos.

Nigel Owens faz parte do quadro internacional da IRB e tem em seu currículo jogos como a final da Heineken Cup de 2008, além de ter apitado partidas na última Copa do Mundo. A visibilidade do árbitro tornou a decisão ainda mais difícil. Imagine você, se um juíz de grande visibilidade no futebol brasileiro resolvesse admitir sua homossexualidade. Digamos que o Armando Marques, na década de 70… imagine você se, hipoteticamente, ele fosse gay, e resolvesse admitir essa sua preferência sexual - meramente hipotética - para o grande público. Seria um grande choque para todos!

Apesar do impacto da revelação, Owens afirma que a recepção, no mundo do rugby, foi bastante positiva. O árbitro completa: “Acho que isso mostra que, especialmente no País de Gales, as pessoas no rugby são muito unidas. Não digo isso contra o futebol, de forma alguma, porque gosto de futebol. Mas acho que, quando pensamos nos torcedores de futebol, se fosse um árbitro desse esporte [admitindo ser gay], seria mais difícil para ele apitar os jogos.”

Nigel Owens toca em um ponto crucial: historicamente, o rugby é identificado com a classe média-alta, o que faz com que o torcedor de rugby seja, em geral, mais educado que o torcedor de futebol. No entanto, a hipocrisia e o zelo excessivo pelas aparências são valores mais cultuados na aristrocracia. O preconceito, nas classes mais abastadas, está normalmente envolto em uma nuvem de falsa aceitação.

Quanto ao povão, este costuma ser imperdoável, implacável, impiedoso, inescrupuloso e outras coisas que começam com i quando o assunto é preconceito. O homem comum, quando resolve ser preconceituoso, está pouco se lixando para o politicamente correto. O que talvez explique por que Nigel Owens seria comido vivo (ui!) se fosse um árbitro de futebol, e não de rugby. Tenho certeza que muita gente no rugby gostaria atirar no rosto do Sr. Owens alguns epítetos bastante ofensivos sobre a sua orientação sexual, mas evitam fazer pela educação que receberam.

17 December, 2008

Heineken Cup: 4a. rodada

Munster 23 - 13 Clermont Auvergne

O atual campeão chegou a estar ameaçado até o final da partida, quando perdia por 13 a 11 para os franceses. Faltando cinco minutos para o término do jogo, os irlandeses marcaram um try com Marcus Horan e fizeram 16 a 13 no marcador. O Clermont, que ja havia entregado a rapadura para os irlandeses, resolveu dar de brinde um caminhão de melado: faltando apenas um minuto para o final, o time da Irlanda marcou mais um try com Niall Ronan. A conversão foi de Ronan O’Gara, que depois de passar o jogo inteiro errando chutes relativamente fáceis, finalmente conseguiu marcar seu milésimo ponto em participações na Heineken Cup.

No fim das contas, o placar acabou sendo enganoso, pois com exceção dos 5 minutos finais, o time francês dava mostras que poderia repetir o feito de semana passada, quando conseguiu bater o Munster.

Harlequins 19 - 17 Stade Français

Esta foi, provavelmente, uma das mais espetaculares partidas do torneio.

O time da casa perdia por 17 a 16 para a equipe da França, quando deu início a uma descida de ataque que começou aos 38 minutos do segundo tempo e só foi acabar 5 minutos depois, após uma faraônica jogada de 29 fases! Como no rugby o jogo só termina quando, depois dos 80 minutos, a bola sai de campo, a partida se arrastou por mais 4 minutos além do tempo regulamentar.

A virada épica do Harlequins começou quando Sergio Parisse, jogador da equipe do Stade Français, tentou aliviar a pressão inglesa com um chute bem vagabundo para a lateral. Os ingleses cobraram o lineout na linha de 10m do campo adversário e começaram a agredir a linha defensiva do Stade, em um ritmo que mais parecia com o de uma guerra de trincheiras.

Por duas vezes, o Harlequins tentou acertar um drop decisivo com Nick Evans, mas o all-black surpreendeu a defesa francesa, recolhendo a bola nos braços e disparando rumo ao ingoal adversário. As penetrações de Evans conquistaram bastante território para a equipe inglesa, que chegou a estar muito perto de marcar um try. Porém, quando parecia que a virada seria conquistada com um tento, o Quins resolveu partir para um drop goal. Desta vez, Evans acertou um belo chute entre os postes, e garantiu uma vitória histórica para os ingleses.

Os torcedores do Harlequins ainda ficaram apreensivos por mais alguns instantes, pois o árbitro Nigel Owens pediu para verificar o lance no replay. Certamente se o juíz invalidasse a jogada, muitas obscenidades a respeito de sua sexualidade ecoariam nas arquibancadas. (Falarei mais sobre isso em breve. Aguardem!).

Acompanhe abaixo os minutos finais da partida. (Veja esse troço logo, pois o YouTube certamente vai tirar do ar!)




OUTROS RESULTADOS

Montauban 16 - 12 Sale Sharks
Castres 18 - 15 Leinster
London Wasps 19 - 11 Edinburgh
Treviso 16 - 36 Ospreys
Perpignan 26 - 20 Leicester
Scarlets 16 - 16 Ulster
Newport Gwent Dragons 13 - 26 Toulouse
Glasgow Warriors 19 - 25 Bath
Biarritz Olympique 6 - 10 Cardiff Blues
Gloucester 48 - 5 Calvisano

A próxima rodada da Heineken Cup será nos dias 16 e 17 de Janeiro.

9 December, 2008

Heineken Cup: 3a. rodada

Stade Français 10 x 15 Harlequins

Grande duelo entre as equipes mais carnavalescas do torneio. Claro que o carnaval ficou apenas nas camisetas - uma mais colorida que a outra (foto) - pois a intensidade do rugby esteve mais para São Paulo em Março do que Bahia em Fevereiro!
O Harlequins conquistou uma excelente vitória fora de casa graças a sua comissão de frente: os forwards marcaram em bloco a equipe adversária e estragaram a folia dos franceses! Pelo jeito, o samba-enredo era algo sobre a Muralha da China! (Ok, chega de trocadilhos!).
Cada vez mais os esportes coletivos caminham para a supremacia dos setores defensivos sobre os ofensivos. Se isso é bom ou ruim, não sei. Mas é, no mínimo, curioso.


O Harlequins marcou 2 tries (Tom Williams, Jordan Turner-Hall) contra apenas um dos franceses (Juan Manuel Leguizamon). Com a vitória, ultrapassam o Stade Français no Grupo 4. O resultado acendeu o sinal amarelo do lado francês, já que apenas o primeiro de cada grupo tem a classificação garantida. Se perderem a revanche no próximo sábado, em Londres, poderão se complicar ainda mais na tabela.

Clermont Auvergne 25 - 19 Munster

Outro favorito ao título que marcou passo foi o Munster, da Irlanda, que foi derrotado pelo Clermont por 25 a 19. Apesar de fazer 25 pontos a equipe francesa marcou apenas um try, com o australiano Brock James. O abertura do Clermont foi o herói da noite, anotando todos os pontos para os franceses. O Munster marcou um try ainda no primeiro tempo com o pilar Marcus Horan, mas o fullback Ronan O’Gara não foi tão eficiente nos penais como o abertura do time francês.

A vitória do Clermont incendiou a briga pela vaga no grupo 1, pois agora a equipe da França entra oficialmente na confusão. Mesmo que esse grupo classifique duas equipes (o que é bem provável pelo nível da disputa), uma ficará de fora.

OUTROS RESULTADOS:

Sale Sharks 36-6 Montauban
Edinburgh 16-25 London Wasps
Ulster 26-16 Llanelli Scarlets
Cardiff Blues 21-17 Biarritz Olympique
Leinster 33-3 Castres Olympique
Ospreys 68-8 Benetton Treviso
Leicester Tigers 38-27 Perpignan
Toulouse 26-7 Newport Gwent Dragons
Calvisano 17-40 Gloucester
Bath 35-31 Glasgow

CLASSIFICAÇÃO:

Grupo 1 J V E D T PF PC B PTS
Sale Sharks 3 2 0 1 10 84 45 2 10
Munster 3 2 0 1 4 62 58 1 9
Clermont Auvergne 3 2 0 1 4 64 70 0 8
Montauban 3 0 0 3 2 42 79 2 2
Grupo 2 J V E D T PF PC B PTS
Leinster 3 3 0 0 13 101 30 2 14
London Wasps 3 2 0 1 5 61 68 0 8
Edinburgh 3 1 0 2 3 45 58 0 4
Castres Olympique 3 0 0 3 1 20 71 1 1
Grupo 3 J V E D T PF PC B PTS
Leicester Tigers 3 3 0 0 13 110 49 2 14
Ospreys 3 2 0 1 10 89 29 2 10
Perpignan 3 1 0 2 6 63 69 1 5
Benetton Treviso 3 0 0 3 3 40 155 0 0
Grupo 4 J V E D T PF PC B PTS
Harlequins 3 0 0 0 10 86 53 1 13
Stade Français 3 2 0 1 7 73 40 2 10
Ulster Rugby 3 1 0 2 7 57 84 0 4
Scarlets 3 0 0 3 5 53 92 1 1
Grupo 5 J V E D T PF PC B PTS
Toulouse 3 3 0 0 7 66 39 1 13
Bath 3 2 0 1 7 64 58 2 10
Newport Gwent Dragons 3 1 0 2 4 48 61 1 5
Glasgow Warriors 3 0 0 3 9 69 89 3 3
Grupo 6 J V E D T PF PC B PTS
Cardiff Blues 3 3 0 0 12 114 61 2 14
Gloucester 3 2 0 1 10 86 64 1 9
Biarritz Olympique 3 1 0 2 9 68 53 2 6
Rugby Calvisano 3 0 0 3 5 47 137 0 0

5 December, 2008

Bandeiras e bombas

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Semanas atrás, contei aos leitores sobre o meu mais recente hobby espanta-moças: o jogo online Blackout Rugby. Mas afinal, qual hobby não espanta moças? Coleção de carros importados, talvez? Coleção de cartões de crédito? Coleção de relacionamentos amorosos nos quais a mulher é desrespeitada sistematicamente até atingir o sedutor equilíbrio entre a nociva humilhação e a excitante auto-anulação? Talvez estes hobbies não afastem as garotas, mas isto não vem ao caso. Um homem precisa ter suas paixões, independente do lucro que elas possam proporcionar. E como diria Nikolay Gogol, “um homem sem paixões não passa de um nabo”.

Hoje, falarei sobre outro hobby igualmente feminófugo: a vexilologia. Trata-se do estudo das bandeiras, dos estandartes, dos lindos pendões da esperança, das flâmulas e dos seus respectivos verdes-louros que afirmam paz no futuro e glória no passado. Nada melhor do que juntar dois hobbies incompreendidos - o rugby e o estudo de bandeiras - em um único post.

Certamente, o inteligente leitor do blog deve ter observado que a bandeira da Irlanda, nos posts sobre a Heineken Cup, não é a verdadeira bandeira do país. Observamos uma bandeirinha multi-colorida, cujos detalhes são difíceis de precisar:


Não é só no blogby que utilizamos uma bandeira diferente para representar a Irlanda. O próprio site da(o) IRB faz uso de uma bandeirinha esquisita, cheia de badalhocas:


Para quem está atrasado nos estudos: a Irlanda é uma ilha ao lado da Grã-Bretanha. Dois estados soberanos se fazem presentes nela: a República da Irlanda e o Reino Unido, que está representado por uma “unidade federativa” chamada Irlanda do Norte.

Embora exista uma bandeira para representar apenas os “seis condados ocupados pelos porcos britânicos”, como preferem os partidários do IRA, o seu uso não é oficial desde 1972. Em orgãos públicos, a única bandeira aceita é a bandeira do Reino Unido: a tradicional “Union Jack”.

Abaixo, a bandeira que só perde em identificação imediata para a bandeira da Alemanha Nazista, acompanhada da “Ulster Banner”, da Irlanda do Norte:


O uso da Ulster Banner como símbolo da Irlanda do Norte é muito mais disseminado entre os unionistas, que desejam permanecer vinculados ao Reino Unido. Os nacionalistas/republicanos, que defendem a união do estado ao norte da ilha com a República da Irlanda, preferem utilizar a bandeira deste país, que nada mais é do que uma bandeira da Itália meio desbotada:

Se existem bandeiras para representar as duas Irlandas, por que então usar outras bandeiras? Isso acontece porque, no rugby, a Irlanda disputa com um único time de toda a ilha, para desgosto dos unionistas. A IRB utiliza uma bandeira específica para representar o time de rugby irlandês em seu site (é a versão ampliada da bandeirinha que foi citada mais acima):


O símbolo ao centro é o símbolo da Irish Rugby Football Union, a entidade que regulamenta o rugby na ilha. Mas e quanto aos quatro brasões ao seu redor? São as armas das quatro províncias da Irlanda. No sentido horário: Ulster, Leinster, Connacht e Munster.

Abaixo, a bandeira das quatro províncias:


O leitor certamente percebeu que a bandeira da província de Ulster é diferente da Ulster Banner. Além do fundo amarelo, percebemos a ausência daquela pernóstica coroa ao topo, símbolo da presença britânica no norte da ilha. Isso acontece porque nem toda a província de Ulster pertence ao Reino Unido. Dos 9 condados, seis estão nas mãos da rainha. Os outros 3 integram a República da Irlanda.

Assim, por extrema punhetagem vexilológica, não seria adequado utilizar a Ulster Banner para representar a equipe do Ulster, e a bandeira da Republica da Irlanda para as demais equipes irlandesas. Optamos por usar a bandeira das quatro províncias unidas, por entender que a bandeira com o símbolo da IRFU deveria ser usada apenas em contextos onde a equipe nacional se faz presente. Da mesma forma, embora seja possível usar a bandeirinha da República da Irlanda para representar toda a ilha, isso poderia emputecer significativamente a moçada legalista. A bandeira das quatro províncias, embora possa desagradar aos nacionalistas mais exaltados que flertam com o IRA, é a alternativa mais neutra possível.

1 December, 2008

Grupos da Copa de 2011 já estão definidos.

Com dois anos e meio de antecedência, a IRB anunciou hoje os grupos do Mundial de 2011. Como na Copa do Mundo de Rugby não há sentido em obrigar países como Austrália, Inglaterra e África do Sul disputarem eliminatórias com equipes muito piores, várias seleções já obtiveram classificação automática para o torneio.

Ao todo, das 20 equipes que participarão da Copa de 2011 na Nova Zelândia, 12 já estão definidas, restando apenas 8 vagas a serem disputadas por nações emergentes e figurantes-em-geral.

Veja como ficou o sorteio:

Grupo A
Nova Zelândia
França
Tonga
Américas 1
Ásia 1

A anfitriã Nova Zelândia caiu em um grupo bastante fácil, mas enfrentará os carrascos de 2007: França. Possivelmente, a primeira vaga das Américas ficará com EUA, enquanto a vaga da Ásia dificilmente escapa do Japão.

Grupo B
Argentina
Inglaterra
Escócia
Europa 1
Vencedor da Repescagem

Por enquanto, a Inglaterra leva uma ligeira vantagem, já que atualmente a Argentina não é nem sombra do que foi na Copa de 2007. Resta saber se até 2011 o treinador argentino Santiago Phelan conseguirá acertar a equipe, que passa por um processo de renovação. A Escócia é a mesma coisa de sempre: quase sempre se classifica, para depois ser eliminada nas quartas-de-final. Portanto, se os Pumas não melhorarem até lá, poderão perder a vaga para os escoceses.

A briga pela primeira vaga da Europa promete ser acirrada, com Romênia, Geórgia e Portugal liderando, enquanto Rússia e Espanha correm por fora. O vencedor da repescagem merece atenção especial, pois no caso de um milagre envolvendo guerra nuclear, será possivelmente esta a vaga que o Brasil conquistará. A repescagem será um torneio realizado em 2011, pouco antes da Copa, e terá a presença de 4 equipes.

Grupo C
Austrália
Irlanda
Itália
Europa 2
Américas 2

Austrália e Irlanda são as favoritas, mas a hipótese de uma zebra italiana não deve ser descartada. A segunda vaga das Américas possivelmente será do Canadá, visto que o campeão do triangular entre Chile, Brasil e Uruguai dificilmente conseguirá vencer o país da América do Norte.

Grupo D
África do Sul
País de Gales
Fiji
Oceania 1
África 1

Eis aí o grupo mais interessante até agora. Os incorrigíveis Fijianos Voadores tentarão novamente fazer o crime contra os galeses e repetir o feito de 2007, quando mandaram os Dragões Vermelhos de volta para a casa mais cedo.

De acordo com os nossos matemáticos, Samoa tem 257% de chances de garantir a vaga da Oceania, o que irá proporcionar um belo embate contra Fiji, repleto de rivalidade e dancinhas típicas antes do apito inicial. A África do Sul dificilmente deixará escapar a primeira posição, e o outro país africano do grupo entra na competição para servir de saco de pancada para os outros.

21 November, 2008

Rugby para nerds (Parte II)

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Vamos à segunda parte do nosso guia sobre o Blackout Rugby, esse joguinho apaixonante e imbecil. Hoje veremos como escalar a equipe.

Em geral, quem já tem um bom conhecimento sobre rugby, poderá pular essa parte. Basta saber o que cada estatística significa em português e escolher os mais aptos para a função.

Os jogadores têm 14 atributos distintos, que podem ser divididos entre atributos físicos/mentais e habilidades de jogo. Peso (Weight) e altura (Height) também são importantes.

Atributos Físicos/Mentais:

Aggression (Garra): O quão raçudo é o seu jogador. Junto com Discipline (Disciplina), Weight (Peso) e Altura (Height), não muda jamais.
Discipline (Disciplina): O quão disciplinado é o seu jogador. Jogadores indisciplinados cometem mais pênaltis.
Form (Forma): Mostra se o seu jogador está em boa ou má fase. Influi bastante no jogo, por isso, é bom sacar do time os jogadores que não estão bem. Costuma variar com freqüência, para melhor ou para pior.
Experience (Experiência): Jogadores mais experientes cometem menos erros que os novatos. Aumenta conforme o número de partidas oficiais do atleta.
Fitness (Condição Física): É determinado principalmente pela Stamina (veja abaixo).

Habilidades:

Stamina (Preparo Físico): Quanto maior for a Stamina do jogador, menor será o cansaço do atleta, tanto na partida quanto durante a semana (o que é refletido no atributo Fitness). É importante para todos os jogadores.
Attack (Ataque):Utilizada principalmente para marcar tries ou pressionar a equipe adversária.
Technique (Técnica): Cuidado: nesse jogo, “técnica” refere-se à habilidade do jogador em disputar os rucks, sendo, portanto, uma habilidade defensiva.
Jumping (Salto)
Agility (Agilidade)
Handling (Passe, Manuseio): Reflete, principalmente, o passe, mas não se resume a isso. Também inclui a capacidade do jogador de agarrar a bola sem cometer erros (knock-ons).
Defense (Defesa): Muito importante para definir se o jogador é bom no tackle.
Strength (Força)
Speed (Velocidade)
Kicking (Chute): Inclui tanto os chutes a gol, como os chutes dados durante o jogo.

Abaixo, DROPOUT disponibiliza um resumo dos atributos necessários para cada posição, a fim de não deixar o público leigo fora desse magnífico hobby nerd! Resolvi deixar os atributos em inglês mesmo, que é como eles aparecem no jogo.

FORWARDS:

LOOSEHEAD E TIGHTHEAD PROPS (PILARES): Strength, Technique, Defense, Height, Weight.
Na vida real, há uma diferença entre o Pilar Aberto (Loosehead) e o Pilar Fechado (Tighthead), mas o jogo, aparentemente, não diferencia. São os mais fortes e gordachos do time. Devem ter pouca diferença de altura, para o scrum não ficar torto.
HOOKER: Strength, Technique, Handling, Defense, Pouco Height, Weight
Deve ser o mais baixote dos forwards, ou, pelo menos, mais baixo que os pilares. (Embora “baixote”, para um forward, seja 1m75cm). “Handling” é fundamental, porque o hooker é o jogador que arremessa a bola nos lineouts.
LOCKS (SEGUNDAS-LINHAS): Jumping, Handling, Height.
São os que normalmente disputam as bolas no lineout, por isso é importante ter altura, saltar bem e conseguir agarrar a bola. Precisam ser obrigatoriamente mais altos que os pilares, para não prejudicar o scrum.
BLINDSIDE E OPENSIDE FLANKER (ASAS): Strength, Technique, Speed.
São os primeiros a deixarem o scrum para esculhambarem o ataque adversário. São como os pilares, mas com alguma velocidade. Normalmente, o Blindside precisa ser o mais cavalo dos dois asas. O Openside pode ser mais leve e ofensivo. Saltar bem (Jumping) é um bom acréscimo, embora não seja essencial.
NUMBER 8 (OITAVO): Strength, Technique, Speed
É um asa mais versátil, com mais recursos a seu dispor. Na verdade, essa posição permanece uma incógnita no jogo. Por isso, na dúvida, escale um asa. Velocidade (Speed), Força (Strength) e Ataque (Attack) são habilidades muito apreciadas, principalmente se o seu time utiliza o Pick & Go com freqüência (falarei mais sobre isso, em breve)

BACKS:

SCRUM HALF: Handling, Kicking, Experience
É o cara que distribui o jogo. Por isso, é fundamental ter um excelente passe (Handling) e um bom chute (Kicking). Acredito que a Liderança (Leadership) também seja um requisito, pois, na vida real, é muito apreciada em um bom scrum-half. Todavia, ainda não se sabe se o jogo leva ou não a habilidade em consideração.
FLY HALF (ABERTURA): Handling, Kicking, Experience
Praticamente a mesma coisa que o scrum-half, embora seja melhor escolher um jogador mais completo e experiente para a posição. É bom também não arriscar escalando um jogador com Leadership baixo.
LEFT E RIGHT WING (PONTAS): Speed, Agility, Attack
Esses caras tem que ser os mais rápidos do time, pois são os que finalizam os tries.
INSIDE E OUTSIDE CENTER (1o. e 2o. CENTROS): Handling, Speed, Kicking, Defense, Attack
Precisam ser bons em quase tudo, porém, atente para o fato do Inside Centre (no. 12) ser um jogador mais defensivo, e do Outside Centre (no. 13) ser mais ofensivo. Na dúvida, procure priorizar o passe (Handling), a velocidade (Speed) e o chute (Kicking).
FULLBACK: Handling, Speed, Defense, Kicking
Outro jogador onde a versatilidade é muito apreciada. É o jogador mais recuado do time e precisa ter excelente chute (Kicking), para livrar a pressão adversária.

19 November, 2008

Rugby para nerds (Parte I)

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Para quem gosta de rugby e está disposto a desperdiçar preciosos minutos de sua vida em um joguinho virtual: Blackout Rugby!

Nesse jogo, você administra um clube de rugby virtual e realiza várias tarefas que vão desde escalar o time até ampliar o estádio. Trata-se de um jogo divertido que pode, até mesmo, tornar-se levemente viciante, conforme seu grau de nerdismo. O meu é médio-alto. Logo, criei o hábito de checar meu clube pelo menos duas vezes por dia…


Após efetuar o cadastro, o usuário recebe uma equipe com 200.000 dinheiros no caixa, um time profissional com 30 jogadores, uma equipe junior com 22 atletas e um estádio com 5000 lugares. Depois disso, o técnico virtual (você), disputará competições com outros técnicos virtuais, que poderão render ao seu clube troféus, promoções e prêmios em dinheiro (virtual, é claro). Com a grana, você pode contratar jogadores de outras equipes no mercado de transferências, ou desenvolver a estrutura interna do seu clube, contratando treinadores mais eficientes, investindo nas categorias de base ou realizando reformas no estádio.

Ao entrar no jogo, o usuário deve escolher o país onde deseja jogar. Ao todo, 15 nações estão presentes. Pessoalmente, recomendo a Argentina, devido ao fuso-horário e ao bom número de equipes com treinadores humanos (o que torna a competição bem mais interessante).

Nos últimos dias, tenho observado uma grande quantidade de brasileiros se cadastrando. Temos, até mesmo, um usuário concorrendo às eleições para técnico da seleção Argentina! Aparentemente, o fenômeno se deve a uma comunidade de Orkut. Para quem, como eu, foi praticamente um pioneiro no joguinho, tendo ingressado no final da segunda temporada, é muito legal ver essa invasão tupinambá! (Só espero que não estraguem tudo, como fizeram com o Orkut…)

A quarta temporada da Liga começa no próximo sábado. A primeira rodada da Copa é hoje. Portanto, para garantir seu lugar, é bom se inscrever logo. Pegar um campeonato na metade, em muitos casos, é como largar em desvantagem. Além do mais, a Copa é uma competição de mata-mata, e convém não dormir no ponto. Creio que até a terceira rodada, o jogo coloca times humanos na vaga de equipes sobreviventes controladas pelo computador, mas não há nada garantido.

Amanhã: Um guia para escalar a sua equipe no Blackout!























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